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Religião: porque é que eu me importo?

Sara (aqui):

Aqui existe agora uma campanha com slogans nos autocarros que diz “There’s probably no god. Now stop worrying and enjoy your life”.

Se bem que eu concorde com o slogan, fiquei sem perceber muito bem porque é que alguém se interessa com isso. Gastar dinheiro em andar a divulgar isso?

Aqui entramos noutra guerra: é que a religião oprime. Tens o que os muçulmanos fazem às mulheres, tens a mutilação genital forçada das mesmas, tens crianças a ser educadas sobre como o universo tem 6000 anos e as espécies foram criadas tal como existem hoje (anulando completamente a hipótese de uma carreira produtiva na medicina ou biologia), tens a criminalização do aborto, tens o “sexo = porco” com que te tenho massacrado tanto, tens todas as sociedades do mundo que consideram as mulheres como seres inferiores, tens a oposição das igrejas Cristãs ao uso de anestesia no parto (cuja dor era o suposto castigo de Deus à Eva e descendentes), a oposição das mesmas ao fim da escravatura (que era justificável biblicamente), tens a proibição por razões meramente supersticiosas de uma linha de pesquisa na medicina que pode salvar inúmeras vidas e curar imensas doenças actualmente incuráveis, tens as mulheres apedrejadas porque um homem olhou para elas no Irão, Iraque e Afeganistão, tens as clínicas de aborto nos EUA a ser atacadas por terroristas que nunca são devidamente condenados, tens todo o maluco que mata uma ou mais pessoas porque acredita piamente que "Deus assim quer", tens a censura – mesmo por não-muçulmanos – dos cartoons de Maomé, quando o que devia ter sido criticado era o atentado à liberdade de expressão por quem ameaçou os artistas, tens as pessoas traumatizadas na infância pelas imagens ultra-"realistas" do Inferno com que foram educadas (esse anúncio, aliás, é parcialmente uma resposta a outro que tinha o endereço de um site que citava a Bíblia para dizer que os não crentes iam para o Inferno), tens todo o anti-intelectualismo e suspeita da educação superior, tens a posição privilegiada que a religião ainda tem no discurso público (porque é que achas que este anúncio está a ser tão polémico? Porque nunca se tinha feito um parecido, e tal seria impensável), tens o facto de as igrejas fazerem milhões e estarem isentas de impostos, tens o facto de a religião matar a curiosidade humana por convencer as pessoas de que já têm todas as respostas, tens o facto de ela nos dizer para não fazermos nada em relação ao sofrimento das nossas vidas porque elas não são “the real thing”… e podia continuar…

… há muitas, muitas razões para combater a religião, tal como se combate a fome, as doenças, o analfabetismo, a poluição, o racismo, e outros males da humanidade. Claro que não te vou condenar a ti por não fazeres disso uma causa, assim como espero que não me condenem por não dedicar a minha vida a reduzir a fome no mundo; mas nunca diria que não compreendo quem o tenta fazer, nem os acusaria de estarem a gastar dinheiro e esforço inutilmente. Tornar o mundo melhor é, afinal, uma causa nobre. Assim como o é a educação, ou o simples facto de fazer as pessoas pensar em algo que sempre aceitaram sem o fazer, o que é, aliás, o objectivo principal do anúncio.

Considero, tal como o grande PZ Myers, que a forma de combater a religião é igual à forma de combater o analfabetismo: educação. E tem de se começar por algum lado.

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