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Crenças, evidências e “wishful thinking”

Consideremos as seguintes proposições:

  1. As evidências para a existência de um deus — qualquer deus — são zero.
  2. A crença em algo deve escalar de acordo com as evidências para esse algo. Logo, para zero evidências, zero crença. Tudo o resto é “wishful thinking”: acreditar em algo apenas porque queremos muito que isso seja verdade.
  3. Assim sendo, o ateísmo é a única posição racional; qualquer tipo de crença é “wishful thinking”.

Quando confrontados com este argumento, os crentes normalmente respondem com um dos seguintes argumentos, ou ambos:

  • “As evidências para a existência de um deus (normalmente, do meu deus, ao invés de todos os outros) não são zero.”
    Isto é em geral composto por argumentos da ignorância: “não tenho nenhuma explicação, logo foi Deus” (referente, por exemplo, à origem / existência do universo). Por vezes, também incluem experiências pessoais subjectivas (“sinto Deus no meu coração”, “rezei para conseguir algo e consegui”, etc.). Desculpem lá, mas nada disto constitui “evidências”. Uma prova disso é que não aceitam o mesmo tipo de “evidências” como razões válidas para acreditar noutras religiões.
  • “As crenças não devem escalar com as evidências.”
    Nunca ouviram um crente dizer isto? Então que tal a versão mais comum: “a fé é uma virtude”?
    Nenhuma religião actual promove o cepticismo, ou o vê como uma virtude — apesar de alguns crentes mais sofisticados alegarem o oposto. Pelo contrário, há um enorme conjunto de explicações / racionalizações para a existência de um deus ou deuses não ser óbvia, em geral todas à volta do “livre arbítrio”: se Deus provasse a sua existência, toda a gente acreditaria nele, e por qualquer razão não é isso que ele quer. O “teste”, portanto, é conseguir acreditar sem evidências — ou, melhor ainda, na presença de evidências em contrário.
    Porém, não escalar as crenças com as evidências é uma péssima ideia: é esse “escalanço” que nos protege de sermos enganados e roubados por vigaristas, por exemplo; e é também o que nos permite abrir os olhos, e ver e entender o mundo tal como ele é. Mais uma vez, a maior parte dos crentes (infelizmente, não todos) não pratica a credulidade em relação a coisas “terrenas”… ou, se o faz, rapidamente acaba na pobreza, já que é vulnerável ao primeiro vigarista que lhe apareça à frente.

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