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FAQ: “O ateísmo não passa de mais uma religião!”

Isso não é uma pergunta. 🙂 Mas, respondendo, essa acusação (e, sim, é uma acusação — e um crente que a faça devia pensar um pouco no facto de ter acabado de usar “religião” como um insulto…) pode ter vários significados diferentes. Um deles é o comum “os ateus adoram / idolatram a ciência / Satanás / Darwin / a eles próprios”, que vai ser tratado numa entrada seguinte do FAQ.

Outra alternativa é que não acreditar em nenhum deus — isto é, acreditar num universo 100% natural, sem um criador — requer tanta fé como o Cristianismo ou qualquer outra religião. Isso também fica para uma entrada futura.

Finalmente, há o significado a ser abordado agora: que o ateísmo é uma religião no sentido em que é algo em que a pessoa acredita, com fé, com dogma a seguir, com “fiéis”, uma hierarquia, e afins.

O que é que define uma “religião”? Basicamente, uma religião é um sistema de crença, que inclui regras de comportamento, rituais, em muitos casos (não todos) um elemento sobrenatural (ex. milagres), afirmações sobre a origem do universo, sobre a razão de existirmos, o nosso propósito no mundo, e o que acontece depois de morrermos. Há normalmente também uma hierarquia, sobretudo no Catolicismo.

Bem, o ateísmo puro não inclui nada disso. O ateísmo é apenas a falta de crença num deus ou deuses; não há regras de conduta, rituais, afirmações sobre porque é que estamos aqui, ou sobre o que devemos fazer. Nem faz sentido falar de “crenças ateias”, porque a única coisa que os ateus têm em comum é que não acreditam em algo em que muita gente acredita. Na verdade, como já foi sugerido antes, a palavra “ateu” nem devia existir, já que não temos — ou precisamos de — palavras que signifiquem “pessoa que não acredita em astrologia” ou “pessoa que não acredita no Pai Natal”.

Enquanto as religiões, em geral, geram alguma homogeneidade entre os crentes de cada uma (por haver um livro sagrado comum, um conjunto de crenças em comum, um fundador, e assim por diante), o ateísmo não é nada assim. Alguns ateus (mas não todos) são cépticos, e chegam ao ateísmo simplesmente por não verem qualquer evidência da existência de qualquer deus. Outros terão outras razões (incluindo nunca terem pensado no assunto, o chamado “apateísmo”). Mas, fora essa não-crença, não temos realmente nada em comum. Da mesma forma que toda a gente que não colecciona selos não forma um grupo.

P.S. – se estás aqui a pensar algo como “ah, apanhei-te, acabaste de admitir que os ateus não têm qualquer código de conduta, de moralidade, etc.”, não foi isso que eu disse. Eu disse que o ateísmo não o tem, não que os ateus não o têm. O ateísmo é simplesmente uma não-crença em algo, não é suposto ser um sistema de moralidade. Não acreditar em Deus (por exemplo, no deus Cristão) não nos diz como agir no mundo, assim como não acreditar no coelhinho da Páscoa não nos dá regras morais… logo, temos de as ir buscar a outros sítios. O humanismo secular, do qual quero falar mais no futuro, é o sistema moral provavelmente mais comum entre os ateus (incluindo o autor deste blog), mas está longe de ser o único. E, sim, é possível ser um ateu e ser um monstro… tal como o crente mais devoto do mundo em qualquer religião (incluindo a tua) o pode ser.

(Nota: por favor, restringe quaisquer comentário que faças à pergunta e resposta anteriores, e não a outros assuntos, como a existência ou não-existência de Deus. Obrigado.)

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Um Comentário a “FAQ: “O ateísmo não passa de mais uma religião!””

  1. Thankfulness to my father who stated to me about this weblog, this blog is really remarkable.

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