“Não me… revejo“!?
Estás a falar de um espelho, certo?
OK, OK, vamos mais uma vez ser generosos, e assumir que o que querias realmente dizer era “não acredito nesse deus”, em vez de ser uma admissão de que ele é basicamente inventado por ti, uma construção da tua mente, que gosta do que tu gostas e detesta o que tu detestas, reforçando assim o que já pensas à partida.
Põe-se, então, a questão óbvia: como é que sabes? Quem és tu para dizer que todos os crentes na tua religião, para não falar de outras religiões, estiveram sempre errados — mesmo quem viveu perto dos fundadores, e escreveu os livros sagrados — e continuam a estar, nos dias de hoje? Quem és tu para teres tido uma inspiração “divina” sobre a verdadeira personalidade de Deus que escapou, durante milhares de anos, a papas, rabbis, ayatollahs, e aos crentes mais devotos das várias religiões?
E depois dizem que os ateus são arrogantes…
Para pôr as coisas em perspectiva, vamos usar o exemplo do Cristianismo. Quem és tu para dizer que quem escreveu os Evangelhos estava errado, que S. Paulo estava errado, que todos os padres, bispos, arcebispos, cardeais e papas nos últimos 2000 anos estiveram errados, que mais de 99% dos crentes de hoje em dia estão errados, porque tu e só tu sabes como Deus realmente é?
Quem és tu para decidir (não há outra palavra) que Deus “deve” ser bom, ou gostar disto, ou não gostar daquilo, ou assim ou assado? Que inteligência nunca vista, ou fonte misteriosa de conhecimento, tens tu para conseguir determinar isso? Como é que tu, mero mortal que és, podes decidir como é que o criador do universo “deve” e “não deve” ser?
Como ateu, eu acredito (e faço-o por ter razões para isso, não por um belo dia o ter decidido) que todas as religiões estão erradas, e que os livros sagrados não são mais do que a imaginação e os preconceitos dos autores. Porém, para quem não tenha estudado a origem dos mesmos (isso é outra longa história), é vagamente viável que eles realmente definam a religião, ou o ser que é a base dessa religião (ignorando todas as contradições, é claro). Mas ignorá-los e dizer “não, afinal Deus é assim, porque é assim que eu acho que Deus deve ser”… é de uma arrogância nunca vista. E o mais incrível é que quem afirma isso (ouço-o praticamente em todas as discussões sobre religião, incluindo uma ainda no início desta semana) não percebe o que está realmente a dizer.
(Nota: por favor, restringe quaisquer comentário que faças à pergunta e resposta anteriores, e não a outros assuntos, como a existência ou não-existência de Deus. Obrigado.)
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