Uma coisa que sempre achei frustrante relativamente à maioria dos crentes que comentam a discordar (aqui ainda houve poucos, mas já passei por muito noutros blogs) é que eles não justificam as suas afirmações, posições ou opiniões. Ou seja, muitas vezes resumem-se a dizer “estás errado” ou “não percebes nada disto” (algo que vou abordar na próxima entrada do FAQ, que deve ser a última por agora), sem especificarem porquê, sem dizerem onde é que supostamente cometi um erro factual ou lógico no que escrevi. E isto é comum noutros blogs de ateísmo; não é só comigo, obviamente.
Uma variante curiosa dessa falta de justificação é quando os crentes em questão se “justificam”… simplesmente repetindo a sua afirmação / posição / opinião inicial (caso tenham sido desafiados a justificar algo que disseram), ou citando algo em que acreditam, sem justificarem isso também. Dizem isso como se fosse um argumento válido e óbvio, como se estivessem a explicar alguma coisa dessa forma. E, obviamente, não estão.
Exemplos desses “argumentos”:
- “Estás errado, porque Deus existe.” (este é o mais frequente)
- “Estás errado, porque Deus ama-te.”
- “Estás errado, porque Cristo é o caminho.”
- “Estás errado, porque os crentes serão salvos.”
- “Estás errado, porque eu acredito.”
- “Estás errado, porque aceitei Jesus Cristo no meu coração.”
- “Estás errado, porque Deus criou o universo.”
- “Estás errado, porque Deus criou o Homem.”
- “Estás errado, porque Deus disse que…”
- “Estás errado, porque Deus é amor.”
- “Estás errado, porque Deus é bom.”
- “Estás errado, porque sou Cristão.”
- “Estás errado, porque os ateus vão para o Inferno.”
- “Estás errado, porque o Cristianismo está certo.”
- “Estás errado, porque Deus prometeu-nos que…”
- “Estás errado, porque Cristo deu a vida para que sejamos salvos.”
- “Estás errado, porque <qualquer outra crença da sua religião>.”
Todos estes argumentos podem-se reduzir na sua essência a isto: “estás errado porque estás errado”. O incrível é que continuam a usá-los, como se eles fossem argumentos válidos e convincentes. Mas não passam de lógica circular, ou, em linguagem corrente, argumentos “porque sim”.
Não percebo, sinceramente, como é que alguém pode usar “argumentos” desse tipo e estar à espera de que eles sejam levados a sério…
Um argumento um pouco diferente, mas que acaba por ir dar ao mesmo, é este: “Estás errado, porque na Bíblia diz que…” Não é um argumento directamente circular, já que não diz “isto é assim porque isto é assim”, mas tem um problema: porquê acreditar na Bíblia? “Porque é a palavra de Deus”. Como é que sabes? “Diz na Bíblia”. Pois…
(Nota: por favor, restringe quaisquer comentário que faças à pergunta e resposta anteriores, e não a outros assuntos, como a existência ou não-existência de Deus. Obrigado.)
Posts possivelmente relacionados:
- FAQ: “Não é melhor acreditar, por via das dúvidas? Afinal, se eu estiver errado, não perco grande coisa, mas se tu estiveres errado…”
- FAQ: “Só estás a atacar as formas mais primitivas / literais da religião, ignorando toda a teologia sofisticada.”
- FAQ: “E se estiveres errado, e Deus existir? Isso não te preocupa?”
- FAQ: “Sem crença numa recompensa ou castigo eternos, como é que é possível ser-se moral?”
- FAQ: “Não percebes nada disto!”
Etiquetas: FAQ de Ateísmo



























Uma variante deste que estou farto de ver em blogs e sites Americanos: dizerem que o ateísmo está errado, porque num dos salmos na Bíblia diz: “o tolo diz no seu coração: não há deus”. Notícia de primeira página: livro diz que quem não concorda com ele é tolo! Nunca esperaria tal coisa…
Também se vê isto nos Chick Tracts, em que ateus que nunca ouviram falar do Cristianismo (!!!) mesmo assim aceitam imediatamente a Bíblia como inerrante e consideram citações dela como sendo “provas”…