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O regresso da vingança do FAQ

Sim, como já imaginava, o FAQ de Ateísmo ainda não “acabou”. Já previa que eventualmente me fosse lembrar de (ou ser confrontado com) mais perguntas / afirmações frequentemente feitas, e recentemente deparei-me com mais duas. Uma num comentário bastante parvo de um crente no Portal Ateu (num post já com meses), outra num blog agregado no Planet Atheism, e outra de que simplesmente me lembrei, mas que vi muito no passado.

Hoje estou meio ocupado, mas espero tratar disto nos próximos dias. Mas posso mencionar já as questões, por alto:

1- “O ateísmo / materialismo não explicam o amor / a amizade / o bem e o mal / a poesia / a beleza / os números irracionais na matemática / <outro exemplo de conceito humano abstracto>, logo estão errados / Deus existe!”

2- “Esse vosso ateísmo não passa de uma fase de rebelião, já que, lá no fundo, toda a gente sabe que Deus existe.” (parecido com esta entrada, mas não é bem a mesma coisa; o foco aqui é o “lá no fundo toda a gente sabe”).

3- “‘Ateu’? Não queres dizer agnóstico? Ateísmo não implica uma certeza dogmática sobre algo que não podemos saber? E não é melhor ser-se só agnóstico, ‘just in case’?”

 
Mais uma vez, se 1) como crentes, tiverem alguma questão que eu não tenha abordado no FAQ, ou 2) como ateus, se lembrarem de questões postas por crentes em conversas convosco, é só comentarem aqui.

EDIT: mais um:

4- “Os ateus hoje em dia são tão militantes e fanáticos como os crentes!”

3 Comentários a “O regresso da vingança do FAQ”

  1. wavefunction diz:

    Saudações!
    Descobri hoje o Ateísmo-PT através do Portal Ateu, site que visito com alguma regularidade.
    Os “post’s” são todos escritos pelo sr. Dehumanizer? Gostei da forma, um pouco mais formal e específica do que o habitual, com que aborda os temas; principalmente as posições filosóficas que são sempre mais delicadas de expor. Posso dizer que temos posições intelectuais bastante semelhantes em relação aos temas que vi. Gostava de ler um artigo acerca do empirismo, a problemática do conhecimento e a realidade baseada nas nossas verdades subjectivas (aqui penso que já se percebe o ponto a que quero chegar). Estas reflexões surgiram durante uma troca de argumentos com um crente; devo realçar que foi talvez a primeira discussão que se mostrou frutífera para mim e me obrigou a abordar temas sobre os quais nunca tinha dispensado muito tempo. A posição dos crentes é frágil e fácil de minar; mas realmente gostava de ver esta base essencial para o ateísmo mais esclarecida. Podemos trocar email’s para o elucidar sobre a especifidade da questão caso não tenha ficado claro neste comentário; assim também haverá mais material para escrever um artigo sobre o assunto.
    Cumprimentos, tenham um bom dia

    • Olá,

      primeiro, espero que não te importes, mas eu prefiro tratar os outros, e ser tratado, por “tu”. Não acho que “tu” signifique necessariamente intimidade ou informalismo, mas sim igualdade, e, para mim, é essa igualdade a forma de tratar as pessoas que faz mais sentido. Os brasileiros, é claro, estão à vontade para substituir o “tu” por “você”. 🙂

      Sim, os artigos até agora são todos escritos por mim; uns são traduções de coisas que já tinha escrito há anos, em inglês, e outros (a maioria deles) são actuais. Este blog é relativamente recente (fez ontem um mês, por acaso), mas já escrevi bastante sobre estes assuntos noutro blog meu, criado em 2005 e ultimamente meio parado, o Way of the Mind. Sou também o administrador do Planet Atheism, o maior agregador de blogs ateus do mundo (adoro dizer isto 🙂 mas realmente não há muita competição), todos eles a pedido dos autores ou com autorização dos mesmos (isto é, não me limito a agregar blogs que acho interessantes, como já vi outros agregadores fazer). Talvez um dia crie um equivalente para a língua portuguesa, mas acho que meia dúzia de blogs não justificam um agregador.

      Por acaso, não acho que os meus posts sejam mais “formais” do que o habitual; pelo contrário, apesar de escrever de forma correcta, sou bastante informal na minha maneira de o fazer. Isto é, em grande parte, intencional, para ser o mais acessível e agradável possível, e também porque tenho um sentido de humor meio estranho, ocasionalmente. 🙂

      Relativamente à comunicação, prefiro mesmo falar destas coisas aqui, por comentários, e não em privado. Assim, o que for falado fica disponível para futuros leitores, podendo ser-lhes útil.

      Quanto à questão, não sei se a entendi correctamente. Penso eventualmente expandir esta questão, mas o que posso para já dizer é que não tenho nenhum treino nem grandes conhecimentos relativamente a filosofia (se bem que penso corrigir isso no futuro), mas, de qualquer forma, considero que questões como a existência ou não de Deus ou deuses não são questões filosóficas, e sim científicas; a filosofia pode fornecer ideias, conceitos e definições diferentes de “deus”, mas aquilo que a esmagadoríssima maioria dos religiosos acredita — um deus que criou o universo e se importa connosco — é uma hipótese científica, que a ciência pode e deve estudar (em termos de evidências, provas, falseabilidade e capacidade de previsão de eventos futuros). Por outras palavras, não estou actualmente interessado em definições “estranhas” de Deus (ex. o universo, o amor, a energia, um máximo teórico do que pode existir); estou, sim, interessado na questão básica: o tipo de deus em que 2/3 do mundo acreditam existe, ou não? As religiões estão certas, ou não?

      • wavefunction diz:

        Muito bem; apenas num primeiro contacto escrevo com mais cuidado para não perturbar ninguém com a proximidade e confiança que o “tu” traz a algumas pessoas. Mas para mim tanto faz e não tenho preferência nem interpreto de maneira diferente as duas formas de nos dirigirmos ás pessoas; é à vontade do freguês! Seja “tu” então…
        Quanto aos artigos; disse-os mais formais pelo facto de abordarem temas filosóficos e correntes de pensamento ao invés de só se criticar a religião, dizer o que está errado e mostrar as palermices deles. Não que não goste dessa vertente, mas acho que o ateísmo deve ser encarado como uma posição intelectual natural e inerente ao ser humano. Imagino uma sociedade esclarecida que nunca ouviu falar nem de religião nem de deuses; parece-me que estes indivíduos nunca pensariam nisso. Mas uma sociedade destas não aparece por geração espontânea, e o ser humano para chegar ao conhecimento, ética e valores actuais teve de passar por várias fases. E só isso é que explica a situação actual e a existência de religião em quase todos os povos (que necessariamente passaram por uma fase mais primitiva). Não considero deus uma hipótese meramente científica; no fim de contas apenas o considero como uma ferramenta que o ser humano utilizou, desde explicar fenómenos, ao conforto emocional e a controlar povos/nações. Sendo assim o ateísmo será uma posição intelectual superior, e a filosofia ajudará a defesa do baluarte da razão e humanismo. Assim como a ciência que amplia o nosso conhecimento e interpreta da melhor maneira o funcionamento do universo. Depois de ler o teu comentário de resposta vi que afinal, e ao contrário do que tinha percebido, achas que deus é uma hipótese científica. Posso dizer que estou de acordo, mas sendo só desse ponto de vista isto seria demasiado fácil 😀 (até os religiosos perceberam isso, e agora dizem que não levam a bíblia à letra, etc. denominados de progressistas só expõem as fracas bases de que as religiões são feitas). E já que segues por esse caminho, a discussão que estava a ter com um crente era precisamente a da validade da ciência e do empirismo; e da capacidade de nos dizer o que é real e é verdade. Posso posteriormente colocar aqui alguns email’s trocados. Acho este assunto de extrema importância… já que “O que seriamos nós sem a ciência?”

        Fiquem bem

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