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“Prender” o Papa?

Tem corrido por aí a notícia com variantes deste título sensacionalista: “Richard Dawkins: ‘vou prender o Papa“. Naturalmente, Dawkins não disse tal coisa (que dá a ideia de que o biólogo britânico vai estar no aeroporto à espera de Bento XVI com um par de algemas…); o que ele fez, juntamente com Christopher Hitchens, foi apoiar um movimento já existente (que estava a ser ignorado pelos “media”, vergonhosamente, até ser apoiado por duas celebridades) para lançar um processo legal contra o Papa, pelo seu papel já bem documentado no encobrir de casos de violação e tortura de crianças, e protecção dos autores desses casos (já que para ele a única coisa que importa é a reputação da Igreja).

Mesmo que o processo avance (e espero que tal aconteça), há alguma hipótese de o Papa ser preso? Claro que não. Nem acho que haja alguma possibilidade de ele vir a ser julgado, ou até mesmo questionado sobre esta questão por um tribunal laico, mesmo que não esteja ele próprio a ser acusado de alguma coisa.

O melhor que se pode esperar disto — e espero que chegue a tal — é o seguinte: o Papa sai impune, mas tal não acontece por não haver um caso legal contra ele. Acontece, sim, por ele estar efectivamente acima da lei, neste caso da lei britânica. E isto não deverá passar despercebido. O sistema judicial britânico deve ser forçado a admitir publicamente que qualquer outro no lugar do Papa, nestas condições, seria pelo menos julgado, e que o facto de tal não acontecer a Ratzinger não tem qualquer fundamento legal, vai totalmente contra tanto a letra como o espírito da lei e contra toda e qualquer justiça, e deverá ser uma absoluta vergonha para a Lei britânica.

E talvez assim mais alguns olhos se abram.

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