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Arquivo da Categoria ‘Cristianismo’

História: a relação entre o Cristianismo e a democracia

Segunda-feira, 9 de Agosto, 2010

Gostei muito de ler este artigo.

O irónico é que eles (igrejas / denominações Cristãs) “suportam” a democracia nas poucas vezes que lhes convém, como na questão do casamento homossexual na Califórnia. Para quem não sabe a história, houve um referendo (na mesma altura das últimas eleições presidenciais, em 2008) para proibir o casamento homossexual nesse estado, e depois de uma campanha de mentiras muito bem financiada pela Igreja Católica e pelos Mórmons de Utah, a proibição ganhou com 52% dos votos… para agora um juiz federal determinar (e muito bem) que tal proibição é 100% anti-constitucional, é uma maioria a tirar direitos a uma minoria, e essa maioria nunca explicou apropriadamente como é que a proibição serve o bem público — criam slogans como “Protect Marriage”, mas quando — em pleno tribunal — o juiz lhes pergunta do que é que o casamento está a ser protegido, não sabem responder. Mas, com isto tudo, vêm agora reclamar que “a vontade do povo” não está a ser respeitada, que o juiz é “anti-democrático”, e afins.

Que hipocrisia suprema, considerando (ver o link inicial) como eles trataram a “democracia” ao longo da história…

Anne Rice: a saga continua

Sexta-feira, 30 de Julho, 2010

Mencionei ontem as actualizações de Anne Rice na página dela no Facebook, e, infelizmente, o que sugeri confirma-se: ela continua a ser tão crente como foi nos últimos anos, continua tão presa a superstições e “wishful thinking” como antes; simplesmente quer distanciar-se do ultra-conservadorismo que (sobretudo, mas não só, nos EUA) caracteriza tanto o Cristianismo.

Basta ver que, depois das duas actualizações citadas no post anterior, as seguintes foram simplesmente… citações da Bíblia. Não é exactamente um sinal de racionalidade ou clareza mental…

E ela continua a ser “Cristã” — “seguidora de Cristo” quer dizer exactamente isso. E aqui dou razão ao Hemant: o que ela fez é equivalente a um ateu conhecido dizer algo como: “eu era ateu, mas não concordo com as atitudes e posições políticas e sociais da maioria dos ateus (por exemplo, acho que são demasiado liberais, e sou contra os direitos dos homossexuais, não por causa de questões religiosas, mas apenas porque eles me enojam e porque negar-lhes direitos básicos faz-me sentir poderoso)… logo, a partir de hoje, já não sou ateu. Mas continuo a não ter qualquer tipo de crença num deus ou deuses.” Hmm, não. Não acreditas em deuses, logo és um ateu. É essa a definição do termo. Podes ser um ateu irracional, homofóbico, ultra-conservador… em resumo, um completo imbecil. Mas continuas a ser um ateu.

A última (à hora deste post) actualização dela também revela muito (ênfase meu):

My faith in Christ is central to my life. My conversion from a pessimistic atheist lost in a world I didn’t understand, to an optimistic believer in a universe created and sustained by a loving God is crucial to me. But following Christ does not mean following His followers. Christ is infinitely more important than Christianity and always will be, no matter what Christianity is, has been, or might become.

Aqui, senhoras e senhores, temos um exemplo clássico de “wishful thinking”. Ela acredita porque quer que seja verdade, não por ter evidências de que (provavelmente) o seja. A crença 1 fazia-la infeliz, a crença 2 fá-la sentir-se bem, logo isto é, para ela, motivo mais do que suficiente para ter a crença 2. A questão de qual é mais provavelmente a que corresponde à realidade não lhe interessa. A realidade “que se lixe”. Ela acredita no que lhe faz sentir bem, e pronto — um entorpecer da mente e do sentido de realidade não muito diferente do de um alcóolico ou um toxicodependente, que bebe ou droga-se para não ter de lidar com “a world I didn’t understand”.

E, por muito sofisticada que uma religião seja, por muito sofisticadas as palavras de um apologista, a religião nunca passa disto. Não há religião, nem ninguém é religioso, sem a desonestidade intelectual que é o “wishful thinking”.

Anne Rice “deixa” de ser cristã

Quinta-feira, 29 de Julho, 2010

Da sua página no Facebook:

For those who care, and I understand if you don’t: Today I quit being a Christian. I’m out. I remain committed to Christ as always but not to being “Christian” or to being part of Christianity. It’s simply impossible for me to “belong” to this quarrelsome, hostile, disputatious, and deservedly infamous group. For ten years, I’ve tried. I’ve failed. I’m an outsider. My conscience will allow nothing else.

… e, depois:

As I said below, I quit being a Christian. I’m out. In the name of Christ, I refuse to be anti-gay. I refuse to be anti-feminist. I refuse to be anti-artificial birth control. I refuse to be anti-Democrat. I refuse to be anti-secular humanism. I refuse to be anti-science. I refuse to be anti-life. In the name of Christ, I quit Christianity and being Christian. Amen.

Infelizmente, não voltou propriamente ao ateísmo — continua a praticar “wishful thinking” (acreditar em algo sem evidências só porque quer que seja verdade e/ou a crença lhe é confortável), a acreditar na parte “sobrenatural” da sua religião (nascimento a partir de uma virgem, milagres, ressurreição, etc.), a auto-declarar-se “seguidora de Jesus”, e essas coisas todas. Mas ao rejeitar o Cristianismo propriamente dito devido a todos os seus males (ela lista um bom número deles), ao deixar de se auto-descrever como “cristã”, e ao dizer ao mundo — e aos seus milhões de fãs — exactamente porque é que o faz, talvez “leve” outros com ela. Sem dúvida que o mundo estaria bem melhor se uma boa percentagem de cristãos se convertesse a uma versão mais “soft”, menos conservadora e anti-progresso, mais “vive e deixa viver” da sua religião.

E rejeitar a sua religião (mesmo continuando a “acreditar”) é muitas vezes um óptimo primeiro passo para uma vida racional e livre de “wishful thinking”. Talvez um dia ela e outros atinjam um nível suficiente de honestidade para admitir que estão a fazer isto, e que não é intelectualmente honesto fazê-lo.

Como não traumatizar crianças

Domingo, 18 de Julho, 2010

My young son asked me what happens after we die. I told him we get buried under a bunch of dirt and worms eat our bodies. I guess I should have told him the truth -that most of us go to Hell and burn eternally – but I didn’t want to upset him.

(fonte)

“Ateus são tão fanáticos e militantes como os crentes que criticam!”

Segunda-feira, 10 de Maio, 2010

Hoje voltei a ouvir (bem, ler) esta, num tweet de alguém cujas opiniões em geral até respeito (afinal, sigo-o no Twitter), e… apesar de ser incrivelmente comum, não consigo deixar de ficar surpreendido pelo facto de alguém ser capaz de afirmar — ou pensar — isso.

O que os ateus que criticam a religião fazem, em geral, divide-se em dois aspectos: 1) crítica a actos praticados por instituições religiosas ou em nome da religião (ex. propagação da SIDA em África devido à oposição aos preservativos, encobrimento institucionalizado da pedofilia1, opressão das mulheres em países muçulmanos, terrorismo religioso, anti-intelectualismo e oposição à ciência, etc.), e 2) crítica às crenças religiosas e ao pensamento religioso propriamente ditos, no âmbito da promoção da racionalidade e pensamento científico, no sentido de tornar o mundo melhor, em oposição a uma humanidade presa a crenças sobrenaturais que acabam por nunca passar de “wishful thinking”. Todos estes actos resumem-se a críticas — críticas de actos, críticas de pessoas, e críticas de ideias. Isto é que é “fanatismo miltante”?

A ideia das pessoas que fazem afirmações destas parece ser a seguinte: quem critica um acto condenável é “tão mau” como o autor desse acto, devido meramente ao acto da crítica.

Quem critique um político corrupto é tão condenável como ele. Quem exija justiça para um violador ou pedófilo é tão criminoso como se tivesse violado ou abusado de crianças. Quem chame a polícia a reportar um roubo é tão culpado como o ladrão. Quem se revolte com o racismo é tão condenável como o maior racista.

Isto faz algum sentido? É claro que não. É completamente absurdo para os exemplos acima, e é-o para qualquer outro exemplo em que possamos pensar.

Excepto a religião.

Já há muito que isto se faz notar, e muitos já o disseram no passado: é historicamente tão incomum criticar-se de alguma forma a religião — e, no caso de países como Portugal, a Igreja Católica –, e mesmo até há muito pouco tempo era tão invulgar que alguém o fizesse, que o mais leve sussurro soa a um grito estridente. E soa dessa forma até mesmo para quem não seja ele próprio crente.

Nada mais explica porque é que, independentemente dos abusos e até atrocidades feitos por organizações religiosas, ou feitos em nome da religião, a simples crítica em oposição aos mesmos seja absurdamente equiparada a esses abusos e atrocidades.

A quem diz coisas como no título do post, a minha sugestão é: pensa um pouco nesta questão. Porque é que a religião — sejas ou não crente — deve estar num pedestal especial, acima de qualquer crítica? E se não achas que deva estar, porque é que ages como se devesse?

  1. reparem que não os culpo da pedofilia propriamente dita; aí a culpa é só do indivíduo em questão, e não é preciso ser religioso para se ser pedófilo. Mas o crime do encobrimento e violação de outras crianças no futuro graças a esse encobrimento — em nome da “reputação da igreja universal” — é 100% culpável à Igreja Católica e à hierarquia da mesma. []

Bispo Católico: “eles QUEREM ser abusados!”

Quarta-feira, 7 de Abril, 2010

His comments were that there are youngsters who want to be abused, and he compared that abuse to homosexuality, describing them both as prejudicial to society. He said that on occasions the abuse happened because the there are children who consent to it.

‘There are 13 year old adolescents who are under age and who are perfectly in agreement with, and what’s more wanting it, and if you are careless they will even provoke you’, he said.

Acho que está tudo dito.

E recomendo também este excelente artigo de Paula Kirby no Washington Post. Vale a pena lê-lo todo, mas deixo-vos com esta parte:

How would I advise the Pope? Many people have been calling for his resignation, but I am not one of them. Resignation does not go nearly far enough, and the same goes for every single other person involved in this terrible business. Since when has justice been considered to have been done just because a criminal resigns from his job? No: my advice to the Pope would be to hand over every last priest who has been accused of child rape and every last church official — himself included — accused of covering up child rape to be tried in a proper criminal court, just like anyone else would be if they were accused of the same offenses; and to further ensure that the Church makes available, without obstruction, every single document required as evidence in these cases. Only properly conducted criminal trials, in proper courts of law, will bring an end to this scandal and – far more importantly – bring some peace and justice to the Church’s many victims.

He won’t do it, of course, because he clings to the disgraceful but mightily convenient doctrine that the Roman Catholic Church is above earthly law, answerable only to God.

Hoje é Domingo de Páscoa… também conhecido por Dia dos Zombies!

Domingo, 4 de Abril, 2010

E não, não me refiro a Jesus Cristo, mas sim a…

Páscoa: Dia dos Zombies

(Via Unreasonable Faith)

E, para os curiosos, um olhar um pouco mais sério a esses 2 versículos da Bíblia no Daylight Atheism.

Jesus and Mo e o papa

Quinta-feira, 1 de Abril, 2010
Jesus and Mo e o papa

Brilhante, como sempre. Eu já o disse aqui, mas o autor do comic fá-lo com menos palavras e com mais piada.

Porque é que a América é tão religiosa?

Quinta-feira, 25 de Março, 2010

Esta é uma pergunta à qual muita gente já tentou responder, e agora é a minha vez de dissertar um pouco sobre o assunto. Afinal, para bem e para mal, os EUA são não só a única superpotência nos dias de hoje, mas também são o país mais influente do mundo, e o que acontece lá inevitavelmente influencia o resto do mundo, de uma forma ou de outra. Além disso, grande parte da cultura que “consumimos” (cinema, música, literatura, etc.) vem de lá.

Para quem não saiba, os EUA são — de longe — o país de “primeiro mundo” mais religioso do mundo; em geral a religiosidade de um país é inversamente proporcional ao desenvolvimento, à riqueza e ao acesso à educação no mesmo. Os Estados Unidos são a excepção, como este gráfico (fonte) mostra:

Relação entre a religiosidade e a riqueza dos diversos países

Reparem que a posição dos EUA “está a destoar” ali; tem a religiosidade que seria de esperar num país muito mais pobre e menos desenvolvido. Porque é que é assim?

Há duas explicações em geral sugeridas, e penso que a realidade é uma combinação de ambas. A primeira é que, ao contrário da maior parte dos outros países de “primeiro mundo” (Europa, Japão, etc.), os EUA não têm nem nunca tiveram uma religião oficial. Os “founding fathers” tiveram cuidado em prevenir precisamente isso — a famosa “separação entre igreja e estado” –, e é por isso que os EUA não são “um país Cristão”, pelo menos em termos oficiais, apesar de terem uma proporção de Cristãos praticantes bem maior do que, por exemplo, Portugal — oficialmente um país Cristão (na variante Católica), mas em que a esmagadora maioria do povo é não-praticante.

Isto parece contraditório, não parece? Um país fica mais religioso por não ter (nem nunca ter tido) religião oficial? Não seria de esperar o contrário?

A questão é que uma religião oficial provoca complacência, provoca conforto, torna a religião mais uma tradição que as pessoas têm, do que algo a ser levado realmente a sério.1 Em resumo, cria não-praticantes, exactamente como temos em Portugal, ou como é o caso na Inglaterra. Assume-se que toda a gente pertence à religião X (Católica, Anglicana, etc.) à nascença (ou no baptizado), e não se pensa muito mais nisso; os próprios baptizados, bem como os casamentos na igreja, são mais algo que se faz por tradição do que outra coisa (lembro-me de ir a um baptizado na família em que, estando a igreja cheia, provavelmente não havia lá nenhum crente abaixo dos 60…).

Ao invés disso, num país como os EUA, as várias religiões têm, e tiveram desde o início, de competir entre elas, aperfeiçoando ao longo das décadas os seus métodos de conquistar aderentes e de despertar paixão — em muitos casos, eu até diria fanatismo — neles. É uma espécie de evolução Darwiniana (ironicamente em quem em grande parte rejeita a realidade da mesma): as religiões que conseguiram sobreviver até hoje num ambiente tão competitivo são muito eficientes a angariar membros, e a fazê-los levar a coisa a sério.

A segunda causa é a seguinte: apesar de os EUA serem um país “rico”, os americanos são um povo que, na sua esmagadora maioria, vive com medo. Não vou entrar aqui em opiniões políticas, mas, devido ao seu conservadorismo e ao facto de serem um país muito mais “de direita” do que a maioria da Europa, os americanos são por natureza adversos a sistemas de segurança social (refiro-me aqui ao conceito, e não à Segurança Social (em maiúsculas) como serviço ou organização); uma pessoa pode muito mais facilmente ser despedida, sem “justa causa” ou indeminizações razoáveis (excepto no caso de executivos, é claro), e a qualquer momento uma pessoa pode perder tudo por causa de uma doença. E, repare-se, estou a falar da classe média, de famílias com casa e carro, não me estou a referir à verdadeira pobreza.

Sem contar com os verdadeiros “ricos”, a maior parte dos americanos vive com consciência de que pode perder tudo a qualquer momento, e por causas completamente fora do seu controlo. É natural que, vivendo sempre com certo nível de medo, incerteza e stress, as pessoas procurem segurança nalgum lado… e a ideia de uma divindade que se importa connosco, que “tem um plano para nós”, que estará lá sempre para nós mesmo que tudo o resto corra mal, é muito tentadora… e muito reconfortante.

Já dizia o vilão de “O Nome da Rosa”, de Umberto Eco: sem medo, as pessoas não precisam de Deus (daí todo o “plot” para encobrir a existência de um livro de Aristóteles sobre a comédia, já que nada anula tão bem o medo como o riso). Talvez seja por isso que os elementos mais religiosos nos EUA — basicamente, o partido Republicano — se tenham sempre oposto a todo e qualquer tipo de segurança social — a Segurança Social propriamente dita em 1935 (introduzida por Franklin D. Roosevelt), o sistema Medicare em 1965 (de Lyndon B. Johnson), e agora a renovação do sistema de saúde (de Barack Obama; todos eles Democratas). Sem dúvida que grande parte da oposição é política, no sentido de prejudicar o governo Democrata de forma a este ser culpabilizado pelos problemas do país e os Republicanos ganharem votos, mas também se pode argumentar que uma sociedade em que haja muito mais segurança e estabilidade, em que as pessoas saibam que se caírem há uma “rede” que as segura, que nunca se vão totalmente abaixo e que não estão todos os dias da sua vida em risco de perder tudo aquilo pelo que trabalharam a vida inteira, é uma sociedade que “precisa” muito menos de “Deus”, e que por conseguinte terá tendência para se tornar menos religiosa com o tempo.

Aliás, é isso que eu espero que aconteça. 🙂 Daí ter ficado contente pelo sucesso — até agora — da reforma do sistema de saúde nos EUA, que tudo indica ir mesmo para a frente.

E se esta ideia — que não sou eu o primeiro a sugerir — estiver correcta, então o gráfico acima pode-se interpretar de outra forma, na qual os Estatos Unidos já não são uma excepção “estranha” à regra. A proporção inversa não é entre a religiosidade e a riqueza / desenvolvimento, mas sim entre a religiosidade e a segurança que se tem em relação à vida. Insegurança implica medo implica mais religião. Logo, esperemos que mais segurança implique menos religião, no futuro.

  1. um pequeno à-parte: em conversas com amigos e conhecidos portugueses — tanto crentes como ateus — noto frequentemente uma grande dificuldade em acreditar / conceber a forma como os americanos levam a religião a sério; ouço comentários como “sim, eles dizem isto e aquilo, mas não acreditam mesmo no que estão a dizer, pois não?” Era bom que assim fosse… []

Christopher Hitchens e os 10 Mandamentos

Sexta-feira, 5 de Março, 2010

Um vídeo curto, acessível e com algum humor, do sempre brilhante Hitch.

I saw you coveting right now - you have the right to remain silent.A quem ainda achar que os 10 Mandamentos da Bíblia são uma boa ideia e são (como alguns crentes costumam dizer) “a base da moralidade e da lei nos dias de hoje”, recomendo estes dois brilhantes artigos do site Ebon Musings:

The Big 10 (comentário aos 10 originais)
The New Ten Commandments (sugestão de “regras de vida” — o autor, e muito bem, não gosta do termo “mandamentos”, porque quem é qualquer um para comandar outro? –, de um ponto de vista laico e humanista)

O segundo teve a particularidade de ser citado por Richard Dawkins no livro “The God Delusion”.


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