Novo/a no Ateísmo-PT? Começa por aqui.

Arquivo da Categoria ‘Estupidez’

Ao maluquinho do 189.69.21.176 …

Quinta-feira, 9 de Dezembro, 2010

… por favor, deixe de fazer comentários completamente insanos e “divagantes”, cheios de longos parágrafos em maiúsculas, totalmente desprovidos de conteúdo, e sem ser relacionados com o tema dos posts. E 8 em menos de um dia.

É óbvio que tais comentários serão apagados, uma vez que 1) violam as regras para comentários, e 2) não dizem absolutamente nada (e repare-se que não digo “nada de interesse” ou “nada correcto”; é nada mesmo). Mas são incómodos.

Continuo à espera, neste blog, do primeiro comentário minimamente coerente da parte de algum crente. “Coerente”, aqui, significa apresentar a sua posição e justificá-la. Isso é assim tão difícil? Dizer “estás errado em X, porque Y”, ou mesmo “acredito em X, porque Y”? Bolas, no blog em inglês aparecia algum assim de tempos a tempos. O que se passa com os crentes portugueses e brasileiros? São assim tão obcecados pelo copy & paste de diarreias verbais bizarras? 🙁

Neozelandeza vende “fantasmas” por quase 2000 dólares

Segunda-feira, 15 de Março, 2010

The rare spirits that went under the gavel at a recent online auction in New Zealand weren’t aged brandies or hard-to-find liqueurs.

Instead, two glass vials purportedly containing the ghosts of two dead people sold for $2,830 New Zealand dollars ($1,983) at an auction that ended Monday night.

The “ghosts” were put up for bidding by Avie Woodbury from the southern city of Christchurch. She said they were captured in her house and stored in glass vials with stoppers and dipped in holy water, which she says “dulls the spirits’ energy.”

Portanto, ela pôs à venda dois frascos com água, e houve idiotas dispostos a pagar por isso. E não foi pouco.

Às vezes quase que tenho pena de ser um tipo com alguma honestidade e sentido de moralidade… Afinal, para quê trabalhar, quando se pode ganhar a vida a enganar “tansos”?

E criar uma nova religião seria tão fácil… 🙄

Fonte: Associated Press (via Irreligion)

FAQ: “Não me importam todos os teus argumentos; acreditar em Deus faz-me sentir bem, por isso acredito!”

Sexta-feira, 19 de Fevereiro, 2010

(versão alternativa: “para mim é assim e pronto!”)

Seja. Se admites que não estás minimamente interessado no que é real e no que não é, que escolhes as tuas crenças simplesmente pelo conforto que elas te dão, e que não vês problema nenhum em acreditares em algo só porque queres que seja verdade…

… então não tenho mais nada a dizer-te. Lamento. Bom resto de vida.

(Nota: por favor, restringe quaisquer comentário que faças à pergunta e resposta anteriores, e não a outros assuntos, como a existência ou não-existência de Deus. Obrigado.)

Tudo o que precisam de saber em relação ao aquecimento global

Terça-feira, 15 de Dezembro, 2009

Climate: what if it's a big hoax and we create a better world for nothing?

(Nota: para quem ache isto tão óbvio que nem precisava de ser mencionado, considerem que, nos EUA, quase metade da população acredita que o aquecimento global é uma mentira, uma ficção anti-americana criada por cientistas e outros “ultra-liberais”, destinada a destruir as empresas nacionais e a competitividade das mesmas a nível mundial. Estamos, é claro, a falar do mesmo país em que mais de metade da população rejeita a realidade da evolução darwinista das espécies – conhecida há mais de 150 anos –, e acredita que as mesmas foram criadas magicamente há uns 6000 anos… altura em que os Sumérios já tinham inventado a cola há cerca de um milhar de anos.)

Discussões, subjectividade e irracionalidade

Terça-feira, 27 de Outubro, 2009

Não, este não é sobre religião. 🙂

Quero apenas partilhar com os meus leitores — tu e aquele ali — parte de um comentário num post da Greta Christina, post esse, sim, sobre religião… mas o comentário, de uma “Maria”, não é sobre esse tema, mas sim sobre a frustração — bem conhecida por mim — de tentar discutir racionalmente com quem acha que uma discussão é apenas uma troca de opiniões totalmente subjectivas sem nenhuma base na realidade, e usa argumentos “new age” como “isto é verdade para mim, e pronto”.

Passo a citar:

One thing that really annoys me when I discuss things with people like that is that they treat all such discussions as a “getting along-process”. We are each supposed to give a little, and so if they agree on some things that I say, then can’t I agree on that there is an afterlife and that psychics can contact the dead? After all I can’t PROVE it’s NOT so! If I don’t, I am stubborn and a ‘know it all’. Especially with my friends I can’t really use all the arguments I have (things like you write about here on this blog) because they see discussing such things as exchanging subjective opinions about any given subject. If I don’t, if I insist that these are claims that are either true or not, I am not playing nice.

The other week I asked my friend, after a long and totally useless discussion, if it wasn’t reasonable of me to insist that I was right if someone else claimed that 2 + 2 = 5 and I know it’s 4? She thought it would be wrong of me to do that, because no matter how right I am (and she admitted I was) it’s TRUE FOR THEM! There is just no way around such a view of the world.

I think it’s this that makes the modern progressive and moderate religions, and the new age woo people so infuriating to discuss with on the whole. What they believe is ‘true for them’ and whatever anyone else believes is ‘true for them‘ – they think maximum tolerance and goodness lies in this assertion (after all, what could be nicer than allowing all people their very own reality?) and any attempt to discuss the objective is doomed.

It’s even more infuriating since they don’t actually live like that in their every day life. My friend is a nurse and would never insist, in her work, that any person can eat any medicine for any illness and still become well because it would be ‘true to them’. She will administer the right medicine to the right person like the responsible and very good nurse she is. She never use these idiotic arguments and conversation stoppers (stoppers at least if you want to keep the friendship) when we discuss every day stuff like what is the right answer to a question on a quiz show we are watching, or other every day practical things. But when ever the subject of beliefs, and the afterlife, and a soul, and watching stupid psychics on TV comes up (and believe me I avoid it as the plague) then suddenly, the ‘it’s true for ME’ is used to defend anything!

Saramago e a religião

Segunda-feira, 19 de Outubro, 2009

Tenho visto vários comentários, tanto no artigo do Público como em vários blogs portugueses, a criticar José Saramago por ter dito… bem, vejam o link anterior.

Comentários esses que chamam “banais” às afirmações de Saramago, insinuam que é preciso estudar teologia antes de se poder criticar a religião, dizem o chorrilho de disparates habitual sobre os ateus e o ateísmo, e… bem, já se sabe como é. O mais triste são os comentários de quem não tem qualquer crença religiosa, mas mesmo assim se sente chocado e ofendido com isto, porque caiu na lavagem cerebral de que a religião merece “paninhos quentes” e um respeito especial e inquestionável.

Como a paciência para estar sempre a corrigir os mesmos erros já não é muita, e me sinto enojado só por ler, quanto mais citar, certas coisas que já li hoje, prefiro comentar isto na forma de pequenos parágrafos, mais ou menos independentes uns dos outros. Nem todos se aplicam a todas as críticas, obviamente.

  • Não há qualquer tipo de evidências, provas, etc. da existência de qualquer tipo de deus. Nada. Nicles. Zero. Logo, a teologia é uma não-disciplina, tem tanto mérito e importância como a painatal-logia ou a gambozinologia. E, sim, caros teólogos, vocês desperdiçaram a totalidade das vossas vidas. Deal with it (se bem que sei que nunca o farão, é muito mais fácil manter uma ilusão confortável do que quebrá-la).
  • Chamar “banal” à afirmação de que Deus não existe é o mesmo que chamar “pouco sofisticado” a quem diz que 2+2=4, porque quem está num “nível espiritual mais elevado” tem “fé” de que 2+2=5, ou isso é verdade num plano espiritual tão ou mais importante do que o físico, ou para ele os números têm um significado “mais profundo”, ou outras baboseiras new-age sem significado. Dizer as coisas como elas são de forma simples e directa (como “o rei vai nu”, bem aplicável a este caso) não é “banal” ou “pouco sofisticado”.
  • Crenças religiosas não merecem mais respeito e consideração do que qualquer outro tipo de crenças (ex. “a Terra é redonda” ou “há ovnis a mutilar gado nos EUA”) apenas por serem religiosas. A única coisa que importa é: é verdade?
  • Hitler era católico! Párem lá de o incluir nessa absurda lista de “monstros ateus”. O facto de já terem sido corrigidos relativamente a isso centenas de vezes e mesmo assim o continuarem a fazer demonstra bem quanta importância dão a factos e à realidade… e quão honestos são.
  • Quanto aos outros, há muito de religião em sistemas como o Estalinismo: culto ao líder, rituais, “rezas”, livros “sagrados” (ex. o livro vermelho de Mao), supressão de ideias contrárias, controlo de “pureza” ideológica, irracionalidade, dogma acima de factos, e afins. Se perseguiam as religiões estabelecidas, era apenas porque não queriam competição. Religião e “Deus” não são a mesma coisa, e é possível haver uma sem crença no mesmo. Nenhum povo alguma vez sofreu por excesso de racionalidade e cepticismo.
  • De qualquer forma, quando dizem que “monstros ateus fizeram isto e isto”, querem dizer que o fizeram por não terem medo de um castigo divino. Já pensaram na hedionda distorção de moralidade que isso é? E estão, portanto, a dizer que vocês iriam para a rua roubar, violar e matar se neste momento perdessem a vossa fé, porque não vêem nenhuma razão para não fazer tais coisas, excepto o medo do inferno? O que é que isto diz sobre vocês?
  • Houve quem falasse da “necessidade do Homem para com a espiritualidade”. Isso tem outro nome quando se é mais jovem: “amigo imaginário”. Uma coisa não é real só porque se quer muito. Mesmo que a vida fosse cinzenta e sem sentido sem a existência de um deus e de vida depois da morte (não o é), isso não tornaria mais provável a sua existência.
  • Quem diz que “as críticas de Saramago à Bíblia só se aplicam relação ao Antigo Testamento, porque a mensagem do Novo é paz e amor” está a precisar de realmente ler a Bíblia (além de que Jesus supostamente disse que não vinha para mudar uma letra da lei antiga). Mas, tipicamente, os ateus conhecem-na melhor do que quem acredita que existe um livro escrito pelo criador do universo, do qual depende a sua salvação, mas mesmo assim nunca arranjou tempo para o ler…
  • Não me venham dizer que “mais vale acreditar, por via das dúvidas“, please. Isso é completamente idiota (pista: há mais do que uma religião no mundo…)

O regresso da vingança do Papa parte II

Quarta-feira, 1 de Abril, 2009

Visto num comentário no Pharyngula:

Given the other stuff he believes, his stand on condoms makes perfect sense. They do “make the situation worse,” when you understand that for him a baby dying of AIDS is not as bad as people having sex while paying no price whatsoever.

É o que eu já disse aqui, mas de forma muito mais sucinta e directa. Acho que tenho de ler mais. 🙂

Por uma vez na vida, concordo com fanáticos religiosos…

Segunda-feira, 30 de Março, 2009

Reason is the greatest enemy that faith has

Fonte: Pharyngula

Nota: isto não é criado pelo Church Sign Generator. É real, visto no Arkansas. (Mas não foi inventado por eles.)

E, curiosamente para fundamentalistas religiosos, eles estão completamente certos.

Papa: preservativos *pioram* o problema da sida

Terça-feira, 17 de Março, 2009

Fonte: Times Online

Aids “is a tragedy that cannot be overcome by money alone, and that cannot be overcome through the distribution of condoms, which even aggravates the problems”.

Agrava? Como?

Nope, ele não diz. Mas, claro, propõe uma “solução”…

He said the “traditional teaching of the Church” on chastity outside marriage and fidelity within it had proved to be “the only sure way of preventing the spread of HIV and Aids”.

Claro. Uma solução que não venha deles, por muito eficaz que seja, não é solução. Se a deles é irrealista e está provado que é ineficaz… paciência. Admitir que há uma opção melhor era abdicar do controlo que ainda têm sobre grande parte do mundo. E é impressionante como não têm problemas em provocar o sofrimento e a morte de milhões. Bem, quando se acredita que o sofrimento em vida é irrelevante – ou seja, quando se é um culto da morte –, isto faz todo o sentido.

E, ei, pelo menos são coerentes

Anti-Educação Sexual: afinal, o que é que esta gente quer?

Segunda-feira, 16 de Março, 2009

condenei ontem a atitude, os objectivos e a “moralidade” daquilo a que se podia chamar grupos pseudo-pró-vida (GPPVs, para abreviar); o “pseudo” vem do facto de eles aparentemente só se preocuparem com a vida até ao parto, e não terem problemas nenhuns com o sofrimento humano, nem com a ideia de uma “morte em vida”.

Mas eu tenho a irritante mania de querer sempre entender tudo, incluindo as posições do “inimigo”, o que é que as causa, e o que é que eles realmente querem. Neste caso, por exemplo, uma pessoa de fora pensaria que GPPVs, por serem totalmente anti-aborto, seriam os maiores apoiantes da introdução da educação sexual obrigatória às crianças! Afinal, é esta (e não a “abstinência”, que não é nem nunca foi realista), sem dúvida, a forma mais eficaz de reduzir ao máximo o número de abortos, por praticamente acabar com os possíveis motivos para estes. Se os jovens souberem o que estão a fazer, souberem como é que se engravida, e souberem como o evitar, tendo sexo de forma realmente segura, não haverá mais gravidezes indesejadas. Aliás, até poderia argumentar que se se conseguir transformar o sexo numa coisa bonita e saudável, em vez de “porca” e um bicho de sete cabeças, isso poderá diminuir o número de violações, fazendo cair ainda mais o número de abortos. Como disse, isto devia ser o que eles querem… não?

Mas não. Nem por sombras. Continuam a opor-se a todo e qualquer método contraceptivo, incluindo os tão convenientes preservativos; continuam a dizer que o sexo tem de ser só dentro do casamento e só para fins reprodutivos, nunca para prazer. Há até grupos a opor-se ao uso de preservativos dentro do casamento, mesmo sendo um dos membros do casal seropositivo. Se isto não vos choca, não sei o que chocará.

Porque é que eles agem de uma forma aparentemente tão contraditória em relação ao seu “stated goal”? Porque é que a ideia de as pessoas terem sexo por prazer, sendo isso visto como algo saudável e natural, em vez de um bicho de sete cabeças, os assusta tanto? Podia aqui armar-me em psicólogo barato e dizer que é por eles próprios não terem vida sexual (devido à educação repressiva que tiveram e à falta de carisma natural 🙂 ), e quererem forçosamente reduzir o resto do mundo ao seu nível. Isso até pode ser um factor em alguns casos, mas eu diria que as razões principais são aquelas que eu mencionei no fim do meu último post: controlo, e a criação de um Inferno na Terra.

Em “O Nome da Rosa”, o vilão opunha-se à divulgação de um livro do Aristóteles sobre a comédia, porque isso a legitimaria, e o riso afasta o medo. Sem medo, dizia ele, as pessoas não precisam de Deus (e eu acrescentaria: não precisam de religião… nem da Igreja). Logo, era importante manter as pessoas no medo, e se isso implicasse abafar a verdade de forma a manter a ignorância, ou mesmo provocar a morte de pessoas inocentes (como ele faz), que assim seja. Aqui é algo semelhante. Pessoas felizes viram-se menos para a religião do que pessoas infelizes; daí os três monoteísmos se oporem tanto ao prazer, e a formas de viver psicologicamente saudáveis. Isso não é do interesse deles. A frustração, essa, é. O sofrimento. A repressão dos nossos instintos naturais. A falta de esperança em relação à vida na Terra, transferindo essa esperança toda para uma suposta vida depois da morte. O medo. A ignorância.

E, claro, há a questão do controlo. Grande parte do controlo da religião sobre as pessoas vem do controlo – através, em grande parte, da demonização – da sexualidade. Isso já tem milhares de anos; afinal, porque é que o deus da Bíblia parece ser tão obcecado pelos nossos órgãos genitais? Porque, ao transformar algo que é naturalmente parte do ser humano num “pecado” horrível, sujo e hediondo, isso cria culpa e medo nas pessoas; e nada torna uma pessoa tão maleável ao controlo como a culpa e o medo.


Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivs 2.5 Portugal
This work by Dehumanizer is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivs 2.5 Portugal.