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Arquivo da Categoria ‘Igreja Católica’

Vaticano: “mulheres padres são um crime tão grande como a violação de crianças”

Sexta-feira, 16 de Julho, 2010

Sim, foi exactamente isso que eles acabaram de dizer. As duas coisas estão, para eles, ao mesmo nível.

É preciso dizer mais?

(via Pharyngula)

Bento XVI é ateu! Católicos, revoltem-se!

Quarta-feira, 5 de Maio, 2010
Bento XVI é ateu

Estou obviamente meio a brincar no título deste post, mas, por outro lado, fora de brincadeiras, se o Papa e os que estão directamente abaixo dele realmente acreditassem que 1) Deus existe, 2) eles são os representantes do mesmo na Terra e 3) Deus atende a preces, então não faria sentido toda esta segurança “laica”. O que só prova que entre a protecção de Deus e a da polícia, preferem a segunda — ou pelo menos não a dispensam, o que prova que não confiam totalmente na primeira.

(via Portal Ateu)

“Prender” o Papa?

Terça-feira, 13 de Abril, 2010

Tem corrido por aí a notícia com variantes deste título sensacionalista: “Richard Dawkins: ‘vou prender o Papa“. Naturalmente, Dawkins não disse tal coisa (que dá a ideia de que o biólogo britânico vai estar no aeroporto à espera de Bento XVI com um par de algemas…); o que ele fez, juntamente com Christopher Hitchens, foi apoiar um movimento já existente (que estava a ser ignorado pelos “media”, vergonhosamente, até ser apoiado por duas celebridades) para lançar um processo legal contra o Papa, pelo seu papel já bem documentado no encobrir de casos de violação e tortura de crianças, e protecção dos autores desses casos (já que para ele a única coisa que importa é a reputação da Igreja).

Mesmo que o processo avance (e espero que tal aconteça), há alguma hipótese de o Papa ser preso? Claro que não. Nem acho que haja alguma possibilidade de ele vir a ser julgado, ou até mesmo questionado sobre esta questão por um tribunal laico, mesmo que não esteja ele próprio a ser acusado de alguma coisa.

O melhor que se pode esperar disto — e espero que chegue a tal — é o seguinte: o Papa sai impune, mas tal não acontece por não haver um caso legal contra ele. Acontece, sim, por ele estar efectivamente acima da lei, neste caso da lei britânica. E isto não deverá passar despercebido. O sistema judicial britânico deve ser forçado a admitir publicamente que qualquer outro no lugar do Papa, nestas condições, seria pelo menos julgado, e que o facto de tal não acontecer a Ratzinger não tem qualquer fundamento legal, vai totalmente contra tanto a letra como o espírito da lei e contra toda e qualquer justiça, e deverá ser uma absoluta vergonha para a Lei britânica.

E talvez assim mais alguns olhos se abram.

Bispo Católico: “eles QUEREM ser abusados!”

Quarta-feira, 7 de Abril, 2010

His comments were that there are youngsters who want to be abused, and he compared that abuse to homosexuality, describing them both as prejudicial to society. He said that on occasions the abuse happened because the there are children who consent to it.

‘There are 13 year old adolescents who are under age and who are perfectly in agreement with, and what’s more wanting it, and if you are careless they will even provoke you’, he said.

Acho que está tudo dito.

E recomendo também este excelente artigo de Paula Kirby no Washington Post. Vale a pena lê-lo todo, mas deixo-vos com esta parte:

How would I advise the Pope? Many people have been calling for his resignation, but I am not one of them. Resignation does not go nearly far enough, and the same goes for every single other person involved in this terrible business. Since when has justice been considered to have been done just because a criminal resigns from his job? No: my advice to the Pope would be to hand over every last priest who has been accused of child rape and every last church official — himself included — accused of covering up child rape to be tried in a proper criminal court, just like anyone else would be if they were accused of the same offenses; and to further ensure that the Church makes available, without obstruction, every single document required as evidence in these cases. Only properly conducted criminal trials, in proper courts of law, will bring an end to this scandal and – far more importantly – bring some peace and justice to the Church’s many victims.

He won’t do it, of course, because he clings to the disgraceful but mightily convenient doctrine that the Roman Catholic Church is above earthly law, answerable only to God.

Jesus and Mo e o papa

Quinta-feira, 1 de Abril, 2010
Jesus and Mo e o papa

Brilhante, como sempre. Eu já o disse aqui, mas o autor do comic fá-lo com menos palavras e com mais piada.

Pedofilia e as desculpas repugnantes da Igreja Católica

Segunda-feira, 29 de Março, 2010

Evil Pope Com toda a polémica relativamente ao abuso de crianças por todo o mundo pela parte da Igreja Católica e o seu encobrimento pela hierarquia da igreja, naturalmente — afinal, trata-se de uma organização ainda poderosíssima e com influência em todo o mundo — tem havido quem a tente defender. Várias defesas têm sido do tipo “o Papa não sabia!”, o que parece muito improvável, mas a defesa mais incrível, mais supreendente, mais chocante é esta: “os outros também o fazem”!

“Os outros também o fazem”. Como se isso desculpasse minimamente a violação de crianças; afinal “não somos só nós”.

Mas aquilo que torna a Igreja Católica totalmente corrupta e imoral, e a hierarquia da mesma culpada de crimes hediondos pelos quais devia pagar com prisão ou pior, não é, acreditem ou não, o “mero” facto de um bom número deles violar e torturar crianças há décadas. E, sim, isto acontece em maior proporção do que na sociedade em geral — não que eles fossem minimamente desculpáveis se a proporção fosse idêntica.

Nem é “só” o facto de eles afirmarem ser a única fonte de moralidade na Terra, os representantes do criador do universo. De eles afirmarem repetidamente que são moralmente superiores aos crentes de outras religiões, já para não falar dos não-crentes.

Nem é “só” o facto de que o abuso de crianças pela parte de padres é ainda mais condenável por ser feito por quem numa posição de autoridade e confiança para com essas crianças — sendo um abuso dessa autoridade e uma traição completa dessa confiança.

Não, a parte verdadeiramente criminosa, e que condena toda a hierarquia da Igreja, incluindo o actual papa, mesmo os membros da hierarquia que nunca tenham tocado numa criança, é esta: eles tentam encobrir isto há décadas. A hierarquia Católica tem tido conhecimento de inúmeros casos de abuso de crianças pela parte de padres ao redor do mundo, e a única preocupação da mesma tem sido auto-proteger-se. Proteger a sua reputação. Não a protecção das crianças. Não a obtenção de justiça.

Nos inúmeros casos ao longo de décadas, tendo de escolher entre a protecção de crianças inocentes e a protecção da reputação da Igreja, esta escolheu sempre a segunda hipótese. Sempre que há queixas contra um padre, as queixas não chegam à polícia, nem o padre é expulso da Igreja; é simplesmente transferido para outra paróquia, onde lhe serão inocentemente confiadas novas crianças para violar. Repetir conforme necessário.

Isto é monstruoso e imperdoável. Torna toda a hierarquia Católica cúmplice das inúmeras violações de crianças. E torna a Igreja uma das organizações mais moralmente podres em todo o mundo.

Filipinas: Igreja Católica tenta causar demissão de ministra da saúde por esta tentar combater a SIDA

Segunda-feira, 1 de Março, 2010

Notícia aqui. Alguns “highlights”:Preservativos -- o maior pesadelo do Papa

Archbishop Ramon Arguelles said on the Church-run Radio Veritas: “It is immoral for a government official to support the distribution of condoms which we know do not really reduce or stop the spread of HIV-AIDS.”

“Sabem”? Mentirosos. Sabem muito bem que é exactamente ao contrário. O problema é que, sendo o culto da morte que são, estão-se nas tintas para o sofrimento humano; a única coisa que importa é “salvar almas”.

Another bishop, Dinualdo Gutierrez, joined the attack when he said Cabral should not remain as health secretary. Gutierrez said Cabral was not a good Catholic — if she was one in the first place — if she backs the distribution of the prophylactics.

Naturalmente. Se não é uma boa Católica, não pode nunca ser ministra seja do que for — afinal, aquilo é uma teocracia. Que importam as qualificações para fazer o seu trabalho — a única coisa que importa é o quanto ela obedece à Igreja e ao Papa.

Oh, esperem… não estamos a falar da versão Católica da Arábia Saudita; trata-se, sim, de um país supostamente laico. Erro meu, desculpem. Nem sei como pude fazer tão confusão.

Ms Cabral responded by saying that the Catholic Church can be “vicious” at times, but she intended to continue defying it. “Of course, I am afraid of the Church. They are very powerful and they can sometimes be very vicious. I’m not exactly one who likes to live dangerously,” Cabral told a local TV station.

“Viver perigosamente”. Parece que estamos a falar de alguém que se atreveu a testemunhar contra a Máfia, e está nalgum programa de protecção de testemunhas, sempre a olhar por detrás do ombro. Não era suposto a Igreja ser uma promessa de paz e de alívio, em vez de uma fonte de medo neste mundo? E não era suposto ela não interferir na política e na governação de uma nação? Voltámos à Idade Média?

However, she said that she’d rather live dangerously than do nothing against the very alarming rise in the number of HIV/AIDS cases in the Philippines.

Felizmente, ainda há pessoas no mundo capazes de fazer frente aos “padrinhos” — porque há vidas demais em jogo para que uma pessoa com algum vestígio de moralidade possa ficar calada. Mesmo assim, o facto de uma ministra ter medo de ser demitida, ou pelo menos prejudicada e vilificada, por causa da Igreja é assustador.

FAQ: “Independentemente de Deus existir ou não, a igreja faz bem ao mundo, certo?”

Segunda-feira, 22 de Fevereiro, 2010

Infelizmente, os factos sugerem o contrário.

Primeiro: relativamente à “igreja”, vou aqui incluir não só a igreja Católica, mas também as igrejas Protestantes em geral (muito influentes nos EUA), e as teocracias Muçulmanas.

Segundo: é importante distinguir os crimes feitos pela religião / igreja, ou por causa delas, ou em nome delas, de crimes feitos simplesmente por religiosos (ou mesmo membros dessas igrejas). Por outras palavras, não culpo o Cristianismo pelo Holocausto apesar de Hitler ter sido Católico, nem culpo a religião ou a própria igreja Católica directamente pela pedofilia dos padres — não há nada nem nos livros sagrados nem nos “estatutos” da igreja que leve a cometer tais crimes. Mas culpo a igreja em questão por dar muito mais importância à sua reputação do que à inocência e à vida de crianças inocentes, protegendo da lei os padres pedófilos e impedindo que estes sejam punidos pelos seus crimes, e movendo-os de paróquia em paróquia quando os seus actos são descobertos localmente. E, sim, culpo a igreja Católica por ter suportado em vários aspectos o regime Nazi.

Terceiro, não vou incluir aqui crimes limitados ao passado, como a Inquisição ou as Cruzadas. Faço notar apenas que a igreja Católica deixou de cometer essas atrocidades apenas quando perdeu o poder absoluto que tinha, e não por ter chegado à conclusão de que aquilo era errado e imoral. Acho que isso diz muito.

Quarto, reconheço que não é tudo mau — as várias igrejas / religiões fizeram e fazem efectivamente actos de caridade, sem dúvida louváveis, tanto em pequena como em grande escala. Qualifico isso, no entanto, com o facto de que muitas vezes trata-se mais de uma forma de espalhar a fé do que de caridade “desinteressada”, e, de qualquer forma, a religião está longe de ser necessária para se cometer actos de bondade humana.

De qualquer forma, acho que o balanço é completamente negativo.

Qual é, em termos humanos, o problema com a religião / igreja hoje em dia? Estes, para começar:

  • sexismo: desde os casos extremos nas teocracias Muçulmanas, em que as mulheres não têm acesso (sob pena de morte) a qualquer educação escolar, são elas próprias condenadas se forem violadas (muitas vezes não acontecendo nada ao violador), são demonizadas como seres “sexuais” que “tentam” os homens (inocentes, coitadinhos) e por isso são submetidas ao horror que é a mutilação genital forçada (a ideia é que, se perderem completamente a capacidade de ter prazer sexual, já não vão “seduzir” os homens…), e, fora do Islão, temos toda uma cultura ocidental conservadora que diz que o papel das mulheres é ter filhos e obedecer aos maridos… exactamente como diz na Bíblia, tanto no Antigo como no Novo Testamento.
  • oposição ao uso de preservativos — incluindo através de mentiras, como “aumentam o risco de Sida” –, provocando o sofrimento e morte de milhões em África, por exemplo, já que em muitas zonas não há nenhuma fonte de informação além dos missionários. Seja por questões religiosas (“Deus odeia contraceptivos e/ou sexo por prazer”), seja por questões mais mundanas (aumentar ao máximo o número de crentes), este acto de quase genocídio é um crime imperdoável.
  • oposição (não se limitando a não o fazer eles próprios, mas tirando sempre que possível direitos aos outros) ao aborto, direitos dos homossexuais (vistos como um “mal moral”) e eutanásia
  • oposição à educação sexual — paradoxalmente, a melhor forma de reduzir o número de gravidezes indesejadas, e, por conseguinte, abortos.
  • visão do sexo (parte perfeitamente natural e saudável do que é ser-se humano) como algo “porco” e “imoral”.
  • oposição — por razões que não passam de superstição — a ramos promissores da medicina, como a investigação em células estaminais, clonagem de órgãos, etc..
  • guerras e ódios de origem religiosa — nem todos no Médio Oriente (ver Irlanda, por exemplo)
  • protecção dos padres pedófilos, que muitas vezes são simplesmente movidos de uma paróquia para outra, quando os seus actos se tornam conhecidos, demonstrando a total ausência de preocupação com as vítimas deles.
  • censura a oposições à religião, mesmo por não-crentes da mesma, devido à ideia de que a religião está acima de qualquer crítica (ex. a condenação pela parte de Cristãos (!) e até ateus (!!) à publicação dos cartoons de Maomé, quando a única condenação devia ter sido aos Muçulmanos que praticaram violência e intimidação).
  • crianças traumatizadas por descrições ultra-detalhadas do inferno.
  • atitude anti-intelectualismo, anti-educação e anti-ciência (por exemplo, a ideia de que se a razão e a fé entram em conflito, se deve preferir a fé, que a razão humana não é de confiança, e assim por diante).
  • anulação da curiosidade humana, por se dizer / achar que se tem todas as respostas (nem que estas sejam simplesmente “foi Deus”).
  • mentalidade de “morte em vida”, que diz que esta vida é só sofrimento e não é “the real thing”, que o nosso tempo neste mundo não passa de um teste para determinar a salvação ou não da nossa “alma”, que a vida a sério começa depois de morrermos, fazendo com que as pessoas aceitem a sua condição e não tentem melhorar o mundo em que vivem.
  • actos de violência e terror – sobretudo nas teocracias Muçulmanas, em que a “blasfémia” (“um crime sem vítima”, como já foi descrita) e a apostasia são punidas com a morte, mas também em países como os EUA, em que terroristas Cristãos explodem clínicas de aborto, assassinam médicos que trabalham nas mesmas, e não só.
  • mutilação do conceito de moralidade para passar a significar simplesmente “obedecer aos caprichos de um ser” — como se esse ser, caso existisse, estivesse acima da moralidade.
  • não-pagamento de impostos, tratando-se de algumas das organizações mais ricas do mundo, e estando a economia mundial como está.

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