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Arquivo da Categoria ‘Racionalidade’

9 Perguntas a um Ateu

Segunda-feira, 8 de Novembro, 2010

Fizeram-me ontem as seguintes perguntas, às quais achei piada responder:

1) Tu não acreditas em Deus(es) ou não acreditas em religião?
2) Estás convencido que não existe qualquer hipótese de existir um Deus/ forma de energia?
3) Acreditar, pensamento positivo e ter fé não fazem as coisas acontecerem?
4) Esta vida é a única que existe ou existiu ou existirá?
5) Não há destino nem almas gémeas nem déjà vu?
6) Não existe karma?
7) Mitologia e simbologia são assuntos aborrecidos?
8) Não existem realidades alternativas?
9) Faz sentido pensar no significado da vida?

Respostas a seguir:
(mais…)

Anne Rice: a saga continua

Sexta-feira, 30 de Julho, 2010

Mencionei ontem as actualizações de Anne Rice na página dela no Facebook, e, infelizmente, o que sugeri confirma-se: ela continua a ser tão crente como foi nos últimos anos, continua tão presa a superstições e “wishful thinking” como antes; simplesmente quer distanciar-se do ultra-conservadorismo que (sobretudo, mas não só, nos EUA) caracteriza tanto o Cristianismo.

Basta ver que, depois das duas actualizações citadas no post anterior, as seguintes foram simplesmente… citações da Bíblia. Não é exactamente um sinal de racionalidade ou clareza mental…

E ela continua a ser “Cristã” — “seguidora de Cristo” quer dizer exactamente isso. E aqui dou razão ao Hemant: o que ela fez é equivalente a um ateu conhecido dizer algo como: “eu era ateu, mas não concordo com as atitudes e posições políticas e sociais da maioria dos ateus (por exemplo, acho que são demasiado liberais, e sou contra os direitos dos homossexuais, não por causa de questões religiosas, mas apenas porque eles me enojam e porque negar-lhes direitos básicos faz-me sentir poderoso)… logo, a partir de hoje, já não sou ateu. Mas continuo a não ter qualquer tipo de crença num deus ou deuses.” Hmm, não. Não acreditas em deuses, logo és um ateu. É essa a definição do termo. Podes ser um ateu irracional, homofóbico, ultra-conservador… em resumo, um completo imbecil. Mas continuas a ser um ateu.

A última (à hora deste post) actualização dela também revela muito (ênfase meu):

My faith in Christ is central to my life. My conversion from a pessimistic atheist lost in a world I didn’t understand, to an optimistic believer in a universe created and sustained by a loving God is crucial to me. But following Christ does not mean following His followers. Christ is infinitely more important than Christianity and always will be, no matter what Christianity is, has been, or might become.

Aqui, senhoras e senhores, temos um exemplo clássico de “wishful thinking”. Ela acredita porque quer que seja verdade, não por ter evidências de que (provavelmente) o seja. A crença 1 fazia-la infeliz, a crença 2 fá-la sentir-se bem, logo isto é, para ela, motivo mais do que suficiente para ter a crença 2. A questão de qual é mais provavelmente a que corresponde à realidade não lhe interessa. A realidade “que se lixe”. Ela acredita no que lhe faz sentir bem, e pronto — um entorpecer da mente e do sentido de realidade não muito diferente do de um alcóolico ou um toxicodependente, que bebe ou droga-se para não ter de lidar com “a world I didn’t understand”.

E, por muito sofisticada que uma religião seja, por muito sofisticadas as palavras de um apologista, a religião nunca passa disto. Não há religião, nem ninguém é religioso, sem a desonestidade intelectual que é o “wishful thinking”.

Realismo como alternativa ao “pensamento positivo”

Sexta-feira, 16 de Julho, 2010
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Vale a pena ver. Depois de o fazerem, considerem o seguinte:

Relativamente à questão do “pensamento positivo”, imagino que há quem pense algo tipo “mas estás-me a dizer que pensar positivamente, ser optimista, etc. não são boas ideias? Que devemos andar pessimistas e deprimidos?” É claro que não é essa a ideia (e o vídeo menciona-o, de passagem). A questão aqui, a meu ver, é que há duas interpretações bem distintas do significado de “pensamento positivo”, e os “new agers” em geral fazem tudo para misturar as duas, tratando-as como inseparáveis.

“Pensamento positivo”, isto é, viver a vida de uma forma optimista e sem medos paralisantes, tentando ver sempre que possível o lado bom das coisas e evitando ao máximo que os problemas / stresses do dia-a-dia nos deitem abaixo, é uma boa ideia, e faz diferença na nossa vida, em termos do nosso bem-estar psicológico, da nossa atitude perante problemas e perante outras pessoas, e afins. Torna-nos pessoas menos stressadas e mais agradáveis — e, por conseguinte, mais “populares”, o que não só tende a aumentar ainda mais o nosso bem-estar, como ajuda relativamente ao sucesso na vida — ou seja, acaba por ser, de certa forma, um círculo virtuoso: optimismo provoca sucesso que provoca mais optimismo que provoca mais sucesso que provoca…

Mas não é isso que os “new agers” promovem (se bem que, desonestamente, recuam para esse significado mais básico quando os criticamos). O que eles promovem, em livros como o estupidamente best-seller “O Segredo”, mencionado no vídeo, é a ideia de que os nossos pensamentos e as nossas emoções afectam directamente o universo, incluindo de forma física e à distância; que a realidade é fluida e subjectiva, construída por cada um de nós nas nossas cabeças (e que uma árvore a cair numa floresta sem ninguém ao pé pode não fazer som, precisamente porque a realidade é subjectiva); que para ter sucesso e sorte basta “acreditar” nesse sucesso e sorte e dessa forma atraí-los. Que para conseguir algo basta “querer muito”.

E, portanto, que quem fracassa, quem sofre alguma catástrofe (mesmo uma catástrofe natural), é porque não queria suficientemente o sucesso, e, dessa forma, atraiu as desgraças. Ou seja, a culpa é sempre da vítima. Mais obsceno do que o “cada um tem o que merece”, aqui a ideia é “cada um tem o que quer“. Os pobres são pobres porque querem (ou porque não querem suficientemente a riqueza), os doentes são doentes porque “não acreditam” na sua saúde, e as vítimas de um terramoto ou vulcão têm a culpa disso porque os seus “pensamentos negativos” atraíram a catástrofe.

Isto, senhoras e senhores, é do mais doentio que pode haver.

Resposta a duas críticas

Terça-feira, 11 de Maio, 2010

Recebi, ontem e hoje, duas críticas relativamente a este blog através do Twitter, às quais já respondi, precisando de uns 7 tweets. Mas quero responder-lhes aqui também, com um pouco mais de espaço comparativamente ao Twitter, e de forma a que as respostas fiquem disponíveis no blog, já que é possível que as críticas em questão façam sentido para outros visitantes no futuro.

A primeira é esta: que o nome do site é incorrecto, porque ateísmo é apenas a ausência de crença em um deus ou deuses, e o que eu faço aqui é “activismo anti-religião”.

Relativamente a isso, sim, é um facto que a definição estrita de ateísmo é essa, mas também é válido ver-se a coisa de uma forma mais lacta. Para mim, bem como para muitos, o ateísmo está associado ao cepticismo, ao humanismo e à racionalidade, e o site dedica-se (entre outras coisas) a promover esses conceitos. “www.ateismo-humanismo-cepticismo-e-racionalidade-pt.com” seria demasiado longo 🙂 , além de que a ideia do nome de um site não é ser descritivo, é apenas um título, uma “marca”, uma designação.

A segunda crítica é que “uma coisa é criticar os actos feitos em nome de uma religião, ou através dela, mas pôr tudo dentro do mesmo saco é errado.”

Acho que aqui o autor da crítica está a confundir 1) críticas minhas a actos e instituições, onde claramente critico apenas os autores dos actos e/ou membros das instituições em questão, com 2) argumentação lógica contra crenças religiosas propriamente ditas, irracionalidade, “wishful thinking”, etc., em que, sim, estou a criticar as crenças de muita gente que nunca fez mal a ninguém por causa delas, mas criticar crenças — por muito “íntimas” que sejam — não é um ataque! Não é, sequer, uma condenação. É um simples “estás errado, porque…”, que para qualquer outro tema seria aceite (concordando ou discordando) sem problemas.

Quando argumento contra a “lógica” de determinadas crenças ou argumentos religiosos (por exemplo, “tem de existir Deus, caso contrário como é que o universo existe”, ou a Aposta de Pascal, ou menciono o facto de a crença de 99% dos crentes ser apenas produto de um acidente geográfico, ou critico a falta de cepticismo e racionalidade de alguém), não estou a “atacar” ou condenar ninguém, estou apenas a criticar ideias que considero erradas, justificando a minha crítica com factos e lógica (que podem muito bem estar errados, note-se). Da mesma forma que aceito perfeitamente que me digam que estou errado nalguma coisa.

O que não aceito é que as crenças religiosas exijam para si próprias uma posição especial, intocável, acima de qualquer crítica, ou que se torne essas crenças inseparáveis dos próprios crentes, de tal forma que qualquer crítica a uma crença ou ideia é vista como um ataque pessoal a todos os seus crentes. Isso não só não faz sentido, como é cobarde — é, de certa forma, uma admissão de que as crenças e ideias religiosas não são capazes de “ir à luta”, de se demonstrar logicamente coerentes, de competir no mercado de ideias, e que por isso precisam de protecção especial, quase criminalizando (em teocracias muçulmanas tira-se o “quase”) o mero acto de as questionar ou criticar.

E para aos crentes que estejam sempre prontos a ofender-se pessoalmente com uma simples crítica às suas crenças e ideias: se estivessem realmente confiantes relativamente às mesmas, não reagiriam assim. Pelo contrário, estariam prontos a “ir à luta” de ideias, confiantes em ter os factos e a lógica do vosso lado, não tendo necessidade de exigir protecção ou “respeito” especiais para as vossas crenças pelo simples facto de serem crenças religiosas. E isto devia fazer-vos pensar um pouco…

“O ónus da prova pertence aos ateus”?

Sexta-feira, 26 de Fevereiro, 2010

Uma coisa a que acho piada fazer relativamente aos sites que mantenho é olhar para as estatísticas e ver que termos (palavras ou frases) as pessoas estão a introduzir nos motores de busca de forma a vir parar aqui. Uma em que reparei ontem é esta: “o ônus da prova pertence aos ateus” (dizia “ônus” por ser em Português do Brasil; cá em Portugal seria “ónus”).

Não há forma de saber se era uma pergunta ou uma afirmação, já que mesmo tratando-se do primeiro caso em geral um utilizador típico não introduz sinais de pontuação nas pesquisas que faz. Mas já vi essa mesma afirmação ser feita mais que uma vez, e por isso quero aqui responder-lhe.

Para começar, a resposta “standard”, que já mencionei no FAQ: quem sugere algo, quem diz que algo existe, é que tem o ónus da prova. Ou seja, se eu digo que existe um monstro voador de esparguete que criou o universo e adora piratas, sou eu que tenho de apresentar evidências e provas disso, não és tu que terás a responsabilidade de o “desprovar”. Se dizes que Deus existe — seja qual for a versão dele em que acreditas — é tua responsabilidade prová-lo, ou pelo menos fornecer evidências suficientes para a probabilidade do “existe” ser superior à do “não existe”. Se estivermos a falar de questões criminais, isto chama-se “inocente até prova da culpa”, que, terás de admitir, faz todo o sentido. Quem afirma (e não, não tentes dar a volta com algo tipo “estás a afirmar a não-existência!”) é que tem de apresentar evidências “para além da dúvida razoável”.

Uma resposta que alguns crentes dão aqui é esta: tu é que estás a afirmar a existência de algo muito mais fantástico para mim: um universo 100% natural, sem um criador ou uma criação sobrenatural, que de alguma forma surgiu a partir do nada, e apareceram estrelas, planetas, e vida pelo menos no nosso. Tudo naturalmente. Como? Explica-o. Prova-o.”

Parece fazer sentido. Até se pôr por palavras a lógica inerente a esse tipo de raciocínio, que é a seguinte: para não acreditar em Deus, um ateu tem de explicar tudo em detalhe, como a origem do universo, evolução, etc., e qualquer vestígio de “isto ainda não sabemos” torna imediatamente essa explicação inválida e “prova” o “foi Deus”. Ou seja, mesmo que o ateu — ou a ciência — explique 99%, a falta de explicação neste momento para o 1% restante imediatamente “prova” que não pode ter sido como o ateu está a sugerir, “prova” que o universo não pode ser 100% natural, e “foi Deus” “ganha” “por default”. (3 coisas seguidas entre aspas; tenho mesmo uma mente estranha…)

Porquê esse “default”? Porque é que o ateu tem de explicar tudo e provar tudo, e, se falhar na mais pequena coisa, o crente “ganha” automaticamente, sem ter de explicar ele próprio nada? Eu suponho que seja por uma questão de hábito: quem tenha aprendido desde criança que Deus existe e criou tudo e que isso é auto-evidente, verá tudo isso como algo perfeitamente normal e óbvio, e uma explicação alternativa que vá contra aquilo em que sempre acreditou — mesmo sendo uma explicação que não envolva seres sobrenaturais e “milagres” — vai-lhe parecer totalmente estranha, absurda e surreal.

Além disso, o crente está habituado a uma explicação aparentemente perfeita e final: “foi Deus”. A ciência está em constante evolução, e não tem problemas em admitir que há muita coisa ainda por explicar, muito ainda por entender. Logo, o crente sentirá — e isso é compreensível — que os ateus lhe estão a pedir que substitua uma explicação simples, completa e (para ele) óbvia por uma explicação complexa, incompleta e (para ele) fantástica.

O problema é que “foi Deus” não explica absolutamente nada, simplesmente move o mistério um degrau para cima. Ou seja, a ciência tenta explicar, por exemplo, a origem do universo de uma forma natural, mas ainda não o consegue fazer completamente, se bem que há várias hipóteses em aberto. O crente aí retorque: “ah, vocês não sabem, mas eu sei: foi Deus”. Mas não explica como, como é que ele o sabe, nem qual Deus, e nem o mais importante de tudo: de onde vem Deus? Quem criou Deus? A resposta “ninguém, Deus sempre existiu” é um “special pleading“: porque é que Deus há de ser uma excepção à regra de que tem de haver um criador para tudo? Se Deus não precisa de um criador, então porque não considerar que talvez o universo não precise de um criador? Se Deus sempre existiu, porque não o universo? E assim por diante.

Por outras palavras, se explicas algo como “foi magia”, então ou explicas essa magia (degrau seguinte), ou isso não é de todo uma explicação. Como os crentes nunca explicam — nem têm formas de explicar — “a magia” / Deus, no fundo não explicam absolutamente nada, enquanto a ciência o faz — a pouco e pouco, mas faz. E a ideia de que a ciência tem de ser perfeita e completa ou “foi Deus” “ganha” automaticamente não faz qualquer sentido; é o equivalente a, numa investigação criminal, dizer-se a um detective que este tem de arranjar provas completas, finais e perfeitas de que o criminoso é X, caso contrário o criminoso é Y… mesmo sem qualquer vestígio de evidência a apontar para Y.

Crenças, evidências e “wishful thinking”

Segunda-feira, 15 de Fevereiro, 2010

Consideremos as seguintes proposições:

  1. As evidências para a existência de um deus — qualquer deus — são zero.
  2. A crença em algo deve escalar de acordo com as evidências para esse algo. Logo, para zero evidências, zero crença. Tudo o resto é “wishful thinking”: acreditar em algo apenas porque queremos muito que isso seja verdade.
  3. Assim sendo, o ateísmo é a única posição racional; qualquer tipo de crença é “wishful thinking”.

Quando confrontados com este argumento, os crentes normalmente respondem com um dos seguintes argumentos, ou ambos:

  • “As evidências para a existência de um deus (normalmente, do meu deus, ao invés de todos os outros) não são zero.”
    Isto é em geral composto por argumentos da ignorância: “não tenho nenhuma explicação, logo foi Deus” (referente, por exemplo, à origem / existência do universo). Por vezes, também incluem experiências pessoais subjectivas (“sinto Deus no meu coração”, “rezei para conseguir algo e consegui”, etc.). Desculpem lá, mas nada disto constitui “evidências”. Uma prova disso é que não aceitam o mesmo tipo de “evidências” como razões válidas para acreditar noutras religiões.
  • “As crenças não devem escalar com as evidências.”
    Nunca ouviram um crente dizer isto? Então que tal a versão mais comum: “a fé é uma virtude”?
    Nenhuma religião actual promove o cepticismo, ou o vê como uma virtude — apesar de alguns crentes mais sofisticados alegarem o oposto. Pelo contrário, há um enorme conjunto de explicações / racionalizações para a existência de um deus ou deuses não ser óbvia, em geral todas à volta do “livre arbítrio”: se Deus provasse a sua existência, toda a gente acreditaria nele, e por qualquer razão não é isso que ele quer. O “teste”, portanto, é conseguir acreditar sem evidências — ou, melhor ainda, na presença de evidências em contrário.
    Porém, não escalar as crenças com as evidências é uma péssima ideia: é esse “escalanço” que nos protege de sermos enganados e roubados por vigaristas, por exemplo; e é também o que nos permite abrir os olhos, e ver e entender o mundo tal como ele é. Mais uma vez, a maior parte dos crentes (infelizmente, não todos) não pratica a credulidade em relação a coisas “terrenas”… ou, se o faz, rapidamente acaba na pobreza, já que é vulnerável ao primeiro vigarista que lhe apareça à frente.

Escapou-me algum? Opiniões?

Discussões, subjectividade e irracionalidade

Terça-feira, 27 de Outubro, 2009

Não, este não é sobre religião. 🙂

Quero apenas partilhar com os meus leitores — tu e aquele ali — parte de um comentário num post da Greta Christina, post esse, sim, sobre religião… mas o comentário, de uma “Maria”, não é sobre esse tema, mas sim sobre a frustração — bem conhecida por mim — de tentar discutir racionalmente com quem acha que uma discussão é apenas uma troca de opiniões totalmente subjectivas sem nenhuma base na realidade, e usa argumentos “new age” como “isto é verdade para mim, e pronto”.

Passo a citar:

One thing that really annoys me when I discuss things with people like that is that they treat all such discussions as a “getting along-process”. We are each supposed to give a little, and so if they agree on some things that I say, then can’t I agree on that there is an afterlife and that psychics can contact the dead? After all I can’t PROVE it’s NOT so! If I don’t, I am stubborn and a ‘know it all’. Especially with my friends I can’t really use all the arguments I have (things like you write about here on this blog) because they see discussing such things as exchanging subjective opinions about any given subject. If I don’t, if I insist that these are claims that are either true or not, I am not playing nice.

The other week I asked my friend, after a long and totally useless discussion, if it wasn’t reasonable of me to insist that I was right if someone else claimed that 2 + 2 = 5 and I know it’s 4? She thought it would be wrong of me to do that, because no matter how right I am (and she admitted I was) it’s TRUE FOR THEM! There is just no way around such a view of the world.

I think it’s this that makes the modern progressive and moderate religions, and the new age woo people so infuriating to discuss with on the whole. What they believe is ‘true for them’ and whatever anyone else believes is ‘true for them‘ – they think maximum tolerance and goodness lies in this assertion (after all, what could be nicer than allowing all people their very own reality?) and any attempt to discuss the objective is doomed.

It’s even more infuriating since they don’t actually live like that in their every day life. My friend is a nurse and would never insist, in her work, that any person can eat any medicine for any illness and still become well because it would be ‘true to them’. She will administer the right medicine to the right person like the responsible and very good nurse she is. She never use these idiotic arguments and conversation stoppers (stoppers at least if you want to keep the friendship) when we discuss every day stuff like what is the right answer to a question on a quiz show we are watching, or other every day practical things. But when ever the subject of beliefs, and the afterlife, and a soul, and watching stupid psychics on TV comes up (and believe me I avoid it as the plague) then suddenly, the ‘it’s true for ME’ is used to defend anything!

“You’re too stupid for me to argue with you.”

Terça-feira, 30 de Junho, 2009

“If it’s futile, then that’s unfortunate, but I don’t think it’s a reason for not even trying. I think it would be… defeatist and rather cowardly, and rather actually… well, almost condescending, almost contemptuous to say… “you’re too stupid for me to argue with you.” I would never wish to say that.”

— Richard Dawkins

Discussões irracionais

Quinta-feira, 9 de Abril, 2009

Nota: é provavelmente uma boa ideia ler o post anterior, Discussões racionais, antes deste.

Agora que já dei o exemplo do que considero uma discussão racional, vocês (sim, eu ainda me iludo a pensar que alguém lê as minhas incompreensíveis divagações) podem-se perguntar: então como é que são as discussões irracionais?

Pegando na discussão descrita no post anterior, deixo-vos alguns exemplos. Alguns vão de certeza parecer-vos surreais, mas garanto-vos que “levei” com variantes deles nas últimas semanas, e vindas de pessoas diferentes.

Exemplo 1:

Pessoa A: (apresenta uma posição)

Pessoa B: “Acho que estás errado, por isto e isto…” (apresenta as razões)

Pessoa A: (repete a posição apresentada inicialmente, ignorando as razões da oposição da pessoa B)

Pessoa B: “Mas… estás-te só a repetir. O que disseste não faz sentido, porque…” (tenta explicar melhor as oposições apresentadas)

Pessoa A: “Não estás a ouvir nada do que eu digo! Não dá para falar contigo!”

Pessoa B: “?!”

Exemplo 2:

Pessoa A: (apresenta uma posição)

Pessoa B: “Acho que estás errado, por isto e isto…” (apresenta as razões)

Pessoa A: “Ah, mas estas tuas razões são inválidas, porque…” (diz porque é que cada uma das razões é inválida)

Pessoa B: (ignorando os argumentos da pessoa A) “Vês? Não fazes mais nada a não ser dizer porque é que eu estou errado! Tens de ter sempre razão, não é? Tanto orgulho…!”

Pessoa A: “…?”

Exemplo 3 (versão “Calimero” do anterior):

Pessoa A: (apresenta uma posição)

Pessoa B: “Acho que estás errado, por isto e isto…” (apresenta as razões)

Pessoa A: “Ah, mas estas tuas razões são inválidas, porque…” (diz porque é que cada uma das razões é inválida)

Pessoa B: (ignorando os argumentos da pessoa A) “Pronto, já sei que nunca digo nada de jeito! Tu és sempre um génio, e eu sou uma merda! Nunca consigo ter razão a falar contigo, não é? Fazes-me sentir completamente inútil! Não estás minimamente preocupado com os meus sentimentos!”

Pessoa A: “…WTF?”

Talvez posteriormente edite este post quando me lembrar de mais. 🙂

Discussões racionais

Terça-feira, 7 de Abril, 2009

Considerem, please, este exemplo:

Pessoa A: (apresenta uma posição)

Pessoa B: “Acho que estás errado, por isto e isto…” (apresenta as razões)

Pessoa A: “Ah, mas estas tuas razões são inválidas, porque…” (diz porque é que cada uma das razões é inválida)

Pessoa B: “Não é bem assim, o problema que deste para aquela razão não é realmente um problema, porque…” (justifica)

Etc. etc.

Isto, para mim, é como as pessoas racionais discutem (no bom sentido da palavra, isto é, discutir uma ideia, não uma troca de insultos num volume de som excessivamente alto). Para mim, isto é divertido, estimulante, não é nada “pessoal”, não há espaço para zangas, ambos estão a demonstrar total respeito pelo outro, ambos estão a ouvir o outro e pensar no que ele diz, de forma a concordar ou discordar. Não se trata de “ganhar” ou “perder” (até adoro que me demonstrem que estou errado, e gostava que isso fosse mais frequente, já que dessa forma aprenderia mais), não se distorce factos ou a realidade, não há emoções envolvidas (pode haver paixão e entusiasmo, mas nunca se usa argumentos infantis e irracionais tipo “esse facto ou argumento magoa-me, logo não o podes usar”)… em resumo, é assim que eu acho, e sempre achei, que pessoas racionais e adultas discutem. E é só assim que se aprende, e se chega a algum lado.

Serei eu um extraterrestre por pensar isso? 🙁

Ou estarei a ter azar com as pessoas, e deverei controlar melhor as discussões em que me meto?

Ouvir uma pessoa e dizer-lhe como está errada, e porquê, é, para mim, a maior demonstração de respeito que lhe podemos dar. E não vou discutir (ou falar) mais com quem 1) se sente ofendido por esse respeito, e/ou 2) não retribui o mesmo.


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