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Arquivo da Categoria ‘Sociedade’

História: a relação entre o Cristianismo e a democracia

Segunda-feira, 9 de Agosto, 2010

Gostei muito de ler este artigo.

O irónico é que eles (igrejas / denominações Cristãs) “suportam” a democracia nas poucas vezes que lhes convém, como na questão do casamento homossexual na Califórnia. Para quem não sabe a história, houve um referendo (na mesma altura das últimas eleições presidenciais, em 2008) para proibir o casamento homossexual nesse estado, e depois de uma campanha de mentiras muito bem financiada pela Igreja Católica e pelos Mórmons de Utah, a proibição ganhou com 52% dos votos… para agora um juiz federal determinar (e muito bem) que tal proibição é 100% anti-constitucional, é uma maioria a tirar direitos a uma minoria, e essa maioria nunca explicou apropriadamente como é que a proibição serve o bem público — criam slogans como “Protect Marriage”, mas quando — em pleno tribunal — o juiz lhes pergunta do que é que o casamento está a ser protegido, não sabem responder. Mas, com isto tudo, vêm agora reclamar que “a vontade do povo” não está a ser respeitada, que o juiz é “anti-democrático”, e afins.

Que hipocrisia suprema, considerando (ver o link inicial) como eles trataram a “democracia” ao longo da história…

Dia de desenhar Maomé

Quinta-feira, 20 de Maio, 2010

Hoje é o Dia de desenhar Maomé (link neste momento em baixo; não sei se será por excesso de acessos, ou porque o serviço de hosting se acobardou), que também tem um grupo no Facebook. Sendo assim, aqui vai a minha entrada, feita num minuto no Gimp:

Maomé

(se eu desaparecer nos próximos tempos, já sabem o que foi. 🙂 )

O meu objectivo com isto não é ofender ninguém, se bem que imagino que tal aconteça; é, apenas, dizer a certos elementos de certa religião que eles não conseguem calar o mundo inteiro com ameaças cobardes de violência. Em sociedades não-medievais, a liberdade de expressão é infinitamente mais importante do que o “direito” (que não existe) das pessoas não ouvirem ou verem nada que as ofenda. Até porque, se vamos por aí, também me ofendem — profundamente — as barbaridades que certos membros da “religião da paz” dizem e, sobretudo, fazem. Mas tomaria eu que tudo o que eles fizessem fosse ofender-me a mim e a outros…

Se quiserem mais exemplos do Dia de desenhar Maomé, vejam o Planet Atheism hoje (dia 20 de Maio), ou, se já tiver passado algum tempo, naveguem lá até esse dia. Há lá uns excelentes, tanto em termos artísticos (coisa que obviamente não acontece com o meu) como em termos de mensagem.

Sugiro também o Mohammed Image Archive, que tem imagens de todos os tipos — incluindo pinturas feitas durante a vida do referido. E não deixem de ver os emails que esse site já recebeu…

Ateus: a minoria mais detestada nos EUA

Sexta-feira, 26 de Fevereiro, 2010

The Atheist - Godless Atheists threaten Christian civilizationQuem vive em países maioritariamente compostos por crentes “não praticantes”, como é o caso de Portugal, provavelmente não faz qualquer ideia do que acontece num certo país, que não é o Irão, a Arábia Saudita ou o Afeganistão, mas sim os Estados Unidos da América. Uma nação supostamente laica, que, ao contrário da maioria dos países da Europa (todos?), não tem sequer religião oficial, estatal… e, no entanto, a religiosidade — maioritariamente Cristãos Protestantes, mas há de tudo — é a mais alta entre países de “1º mundo”, e inquérito após inquérito continua a demonstrar que os ateus — cerca de 10% do país — são a minoria mais odiada, mais considerada “anti-Americana” e mais considerada não confiável. Um candidato (assumidamente) ateu a qualquer cargo político é virtualmente inelegível, e ateus sofrem discriminação na escola, no trabalho e nas próprias vizinhanças — por vezes chegando a vandalismo e violência física.

Mas não vão pelo que eu digo (afinal, nunca lá estive, apesar de ler diariamente blogs e notícias de lá), vão pelo que Mike Clawson (blog), um Cristão (liberal, daqueles que não dizem que Deus odeia gays e que os não-Cristãos vão todos ser torturados eternamente depois da morte, mas Cristão na mesma), escreveu numa tese (link para o Google Docs) que fez para o seu seminário, sobre a situação dos ateus nos EUA. São umas 20 páginas, mas o texto é em letras relativamente grandes e bastante espaçado, pelo que se lê facilmente em menos de 5 minutos.

A sério, vale a pena.

Depois pensem, se quiserem, um pouco sobre a legitimidade de discriminar, ostracizar, demonizar, insultar constantemente e maltratar — às vezes chegando à violência — uma parte significativa da população simplesmente por não terem as mesmas crenças do que eles. E pensem também no que isso diz sobre a “superior” moralidade Cristã.

O facto de ter sido um Cristão a escrever aquilo, e tê-lo feito depois de falar com ateus no blog Friendly Atheist (tipicamente, isso não acontece — como ele diz no texto, crentes dizem — mesmo na TV — impunemente barbaridades sobre ateus, sem haver sequer um destes presente para poder responder), é no entanto um alívio reconfortante: é possível Cristãos ultrapassarem os seus preconceitos — e grande parte da “moralidade” da Bíblia, também. É um princípio…

(via: Friendly Atheist)

Peixes, ateísmo e intolerância

Sexta-feira, 12 de Fevereiro, 2010

Isto é um Ichthys, mais vulgarmente conhecido nos EUA por “Jesus Fish”, relativamente frequente em carros portugueses (ainda hoje reparei num a vir para o trabalho):

Jesus Fish

(Há variantes dele que não incluem a palavra “Jesus”, sendo totalmente “ocos”, ou que incluem outras palavras, como “Truth”.)

E isto é um “Darwin Fish”, obviamente uma paródia do anterior (reparem nas patas do peixe, referência à evolução das espécies):

Darwin Fish

Este último em geral é exclusivo dos EUA, já que lá a religião é muito associada ao Criacionismo, a ideia de que o Genesis da Bíblia deve ser interpretado literalmente, e por isso a evolução Darwiniana das espécies é falsa, porque os animais foram todos criados há uns 6000 anos tal como são, a humanidade começou com Adão e Eva, houve mesmo um dilúvio mundial, e outras baboseiras cuja falsidade está mais que provada pela geologia, biologia, história, etc..

De qualquer forma, assim como o primeiro pode ser associado a um Cristianismo “activo” (afinal, a pessoa está a comunicar ao mundo a sua crença — e note-se que não vejo mal nenhum nisso, por si só), o segundo pode provavelmente ser associado ao ateísmo.

Ponho agora a pergunta: qual dos dois, colado num carro, implica maiores probabilidades — implica quaisquer probabilidades — de o carro ser vandalizado por causa disso?

Penso que a resposta é óbvia.

Como já abordei nos posts anteriores, qualquer activismo ateu, por muito “leve” que seja — nem que seja simplesmente dizer “eu sou ateu”, sem vergonha ao fazê-lo –, incomoda as pessoas de uma forma que não é visível em nenhum outro campo.

Nenhum ateu, nem nenhum crente de outra religião (excepto talvez numa teocracia muçulmana) vai alguma vez vandalizar o carro de um cristão que tenha o autocolante do peixe. Assim como nenhum fã da Microsoft vai riscar ou partir o vidro de um carro com o autocolante de uma maçã (que é bem mais uma religião para os fãs da Apple do que o Cristianismo para muitos “católicos não-praticantes”… 🙂 ). Mas o “sou ateu” perturba. Perturba até outros ateus, por alguma razão.

Opiniões?

P.S. – podia também perguntar o que é que isto diz sobre a moralidade de ambos os lados…

Aborto: a vingança parte II

Quarta-feira, 31 de Janeiro, 2007

(ei, já vi títulos piores!)

Nota: o seguinte é adaptado e um pouco expandido de um comentário que fiz no blog do Mário Lopes. Uma boa parte do que se segue já foi dito noutros posts, recentemente, aqui, mas não exactamente por estas palavras… e nem tudo é repetido.

Tento, também, responder, finalmente, à questão do Samuel: “O que é que é um ser humano? Quando é que um feto se torna um ser humano?”, se bem que o comentário-tornado-post, em geral, não foi escrito para responder a essa questão, mas sim ao tal post do Mário Lopes. Daí ser expandido, e não copiado. 🙂

Without further ado…

(mais…)

Mais aborto… agora, outras opiniões

Terça-feira, 23 de Janeiro, 2007

Do meu lado, acho que não vou acrescentar muito mais à questão. Já fui insultado por ter a minha opinião, por ter pensado nela, e por estar certo da mesma, quando hoje em dia é considerado “arrogante” ter uma opinão forte baseada no pensamento; só se aceita uma opinião forte baseada em emoções. Ou em autoridade, ou em religião, ou… Bah.

De qualquer forma, se alguém quiser comentar os meus posts anteriores, e, para variar, quiser responder ao que eu escrevi (em vez de se limitar a dizer que “sou muito agressivo”), tal será apreciado.

Neste post, vou apenas mencionar o que outros disseram (fora deste blog) sobre esta questão.

Primeiro, um post da namorada, chamado A Interrupção Voluntária da Gravidez…. É um bocado mais detalhado do que os meus, e acho que mostra bem os dois lados da questão. Vá, leiam e comentem. 🙂 Inclui argumentos como este:

Para quem não sabe, até às 10 semanas há muitas mulheres que nem têm uma gravidez confirmada e que têm aborto espontâneo sem que soubessem que estavam grávidas. O próprio corpo se encarrega de “expulsar” fetos com problemas graves, é parte da “selecção natural” de Darwin, a não-sobrevivência dos fracos, dos inviáveis.

Logo, segundo a moralidade dos “nãos” (que confundem um ser humano com um aglomerado de células que é um potencial ser humano), quase todas as mulheres com vida sexual são “mass murderers” e nem o sabem…

Depois, quero mostrar um post que considero ser totalmente ridículo. Vem de um partido americano, “America First Party”, que é basicamente mais republicano do que os Republicanos. O post chama-se… wait for it… Abortion Leads to Nuclear War. Sim, parece que a Madre Teresa (que pode ter sido muitas coisas, mas não era, de certeza, uma pessoa inteligente ou culta – ou então era muito mentirosa, porque sem dúvida dizia grandes disparates) disse algo desse género, e os fanáticos de todo o mundo pegam nisso. Portanto, já sabem – não querem ver cogumelos enormes no horizonte, não abortem. Ah, e…

It is abhorrent that abortion supporters choose to hide behind the term ‘choice’ to mask their goal of destroying unborn children and promoting immoral behavior without responsibility

Destruir crianças! Que horror! Que tipo de monstro desumano e cruel quereria alguma vez fazer tal acto hediondo? 😯

É claro que as coisas não são bem assim. Sugiro-vos esta alternativa… deixem se ser um aglomerado irracional e disforme de emoções, e sejam humanos: pensem um pouco. Como este post, em resposta ao comunicado anterior, diz,

nuclear bombs have been used once in war, and I seriously doubt the bombing of Hiroshima and Nagasaki had anything to do with abortion, considering it wasn’t legal in the US in 1945.

E, em resposta à idiotice de “destruir crianças” citada anteriormente,

Let me tell you right now, no one wants to destroy children. It’s just that sometimes an abortion is the only option a mother may have to keep from ruining her life or the lives of her future children. Life is not always fair or simple. That’s the way it is. I wish we could all live in a dream world of magic, but we don’t, and trying to legislate it into reality won’t make it so.

Não teria dito melhor.


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