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Definição de Agnosticismo

9 de Novembro, 2010

Agnosticismo (s. m.)
A crença de que, se há imensas evidências para A e absolutamente nenhumas para B, isso torna ambos igualmente prováveis.

9 Perguntas a um Ateu

8 de Novembro, 2010

Fizeram-me ontem as seguintes perguntas, às quais achei piada responder:

1) Tu não acreditas em Deus(es) ou não acreditas em religião?
2) Estás convencido que não existe qualquer hipótese de existir um Deus/ forma de energia?
3) Acreditar, pensamento positivo e ter fé não fazem as coisas acontecerem?
4) Esta vida é a única que existe ou existiu ou existirá?
5) Não há destino nem almas gémeas nem déjà vu?
6) Não existe karma?
7) Mitologia e simbologia são assuntos aborrecidos?
8) Não existem realidades alternativas?
9) Faz sentido pensar no significado da vida?

Respostas a seguir:
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A “Ground Zero Mosque” e a tirania dos “sentimentos”

18 de Agosto, 2010

(aviso: este post é um pouco mais informal e “irritado” do que o habitual; começou por ser uma sequência de comentários no Facebook, e escolhi manter a “crueza” deles aqui. Só o “P.S.” é que é novo.)

A história da “mosque” no mesmo bairro do sítio do 11 de Setembro, com os sentimentos feridos destes, e as emoções magoadas daqueles, e tudo o resto… Desculpem o que vem a seguir, mas, porra, FODAM-SE OS SENTIMENTOS!

Já estou farto de ver “os meus sentimentos” ou “os sentimentos destes ou daqueles” como desculpa para exigir leis ou políticas para um estado ou um país, como desculpa para não cumprir a lei existente e sair impune, e como desculpa para oprimir outros. Como se “sentimentos feridos” tornassem algo ou alguém automaticamente certo e incriticável. Aos americanos (e não só) que se opoem a algo perfeitamente legal e legítimo porque isso lhes “fere os sentimentos”… CRESÇAM UM BOCADINHO, ok?

E, sim, isto vem de tudo o que tenho lido na última semana sobre o assunto, mas a “gota de água” foi ouvir uma pessoa — portuguesa! — dizer que concordava inteiramente com a oposição à “mosque”, porque num caso como este estamos a falar de emoções feridas, e por isso o que é legal ou não — e o que é ético ou não — é irrelevante.

Uma atitude destas mete-me nojo a todos os nívels, e só me dá vontade de responder mencionando onde este tipo de pessoas pode ir meter as suas preciosas “emoções” — feridas ou não.

P.S. – e há muito que me irrita esta ideia, pelos vistos aceite pela maioria da sociedade, de que sentimentos e emoções são as coisas mais importantes do mundo, e que qualquer posição ou acto (incluindo uma eventual atrocidade) é aceitável — e incriticável –, bastando para isso que o autor diga “eu sinto isto muito“.

História: a relação entre o Cristianismo e a democracia

9 de Agosto, 2010

Gostei muito de ler este artigo.

O irónico é que eles (igrejas / denominações Cristãs) “suportam” a democracia nas poucas vezes que lhes convém, como na questão do casamento homossexual na Califórnia. Para quem não sabe a história, houve um referendo (na mesma altura das últimas eleições presidenciais, em 2008) para proibir o casamento homossexual nesse estado, e depois de uma campanha de mentiras muito bem financiada pela Igreja Católica e pelos Mórmons de Utah, a proibição ganhou com 52% dos votos… para agora um juiz federal determinar (e muito bem) que tal proibição é 100% anti-constitucional, é uma maioria a tirar direitos a uma minoria, e essa maioria nunca explicou apropriadamente como é que a proibição serve o bem público — criam slogans como “Protect Marriage”, mas quando — em pleno tribunal — o juiz lhes pergunta do que é que o casamento está a ser protegido, não sabem responder. Mas, com isto tudo, vêm agora reclamar que “a vontade do povo” não está a ser respeitada, que o juiz é “anti-democrático”, e afins.

Que hipocrisia suprema, considerando (ver o link inicial) como eles trataram a “democracia” ao longo da história…

Anne Rice: a saga continua

30 de Julho, 2010

Mencionei ontem as actualizações de Anne Rice na página dela no Facebook, e, infelizmente, o que sugeri confirma-se: ela continua a ser tão crente como foi nos últimos anos, continua tão presa a superstições e “wishful thinking” como antes; simplesmente quer distanciar-se do ultra-conservadorismo que (sobretudo, mas não só, nos EUA) caracteriza tanto o Cristianismo.

Basta ver que, depois das duas actualizações citadas no post anterior, as seguintes foram simplesmente… citações da Bíblia. Não é exactamente um sinal de racionalidade ou clareza mental…

E ela continua a ser “Cristã” — “seguidora de Cristo” quer dizer exactamente isso. E aqui dou razão ao Hemant: o que ela fez é equivalente a um ateu conhecido dizer algo como: “eu era ateu, mas não concordo com as atitudes e posições políticas e sociais da maioria dos ateus (por exemplo, acho que são demasiado liberais, e sou contra os direitos dos homossexuais, não por causa de questões religiosas, mas apenas porque eles me enojam e porque negar-lhes direitos básicos faz-me sentir poderoso)… logo, a partir de hoje, já não sou ateu. Mas continuo a não ter qualquer tipo de crença num deus ou deuses.” Hmm, não. Não acreditas em deuses, logo és um ateu. É essa a definição do termo. Podes ser um ateu irracional, homofóbico, ultra-conservador… em resumo, um completo imbecil. Mas continuas a ser um ateu.

A última (à hora deste post) actualização dela também revela muito (ênfase meu):

My faith in Christ is central to my life. My conversion from a pessimistic atheist lost in a world I didn’t understand, to an optimistic believer in a universe created and sustained by a loving God is crucial to me. But following Christ does not mean following His followers. Christ is infinitely more important than Christianity and always will be, no matter what Christianity is, has been, or might become.

Aqui, senhoras e senhores, temos um exemplo clássico de “wishful thinking”. Ela acredita porque quer que seja verdade, não por ter evidências de que (provavelmente) o seja. A crença 1 fazia-la infeliz, a crença 2 fá-la sentir-se bem, logo isto é, para ela, motivo mais do que suficiente para ter a crença 2. A questão de qual é mais provavelmente a que corresponde à realidade não lhe interessa. A realidade “que se lixe”. Ela acredita no que lhe faz sentir bem, e pronto — um entorpecer da mente e do sentido de realidade não muito diferente do de um alcóolico ou um toxicodependente, que bebe ou droga-se para não ter de lidar com “a world I didn’t understand”.

E, por muito sofisticada que uma religião seja, por muito sofisticadas as palavras de um apologista, a religião nunca passa disto. Não há religião, nem ninguém é religioso, sem a desonestidade intelectual que é o “wishful thinking”.

Anne Rice “deixa” de ser cristã

29 de Julho, 2010

Da sua página no Facebook:

For those who care, and I understand if you don’t: Today I quit being a Christian. I’m out. I remain committed to Christ as always but not to being “Christian” or to being part of Christianity. It’s simply impossible for me to “belong” to this quarrelsome, hostile, disputatious, and deservedly infamous group. For ten years, I’ve tried. I’ve failed. I’m an outsider. My conscience will allow nothing else.

… e, depois:

As I said below, I quit being a Christian. I’m out. In the name of Christ, I refuse to be anti-gay. I refuse to be anti-feminist. I refuse to be anti-artificial birth control. I refuse to be anti-Democrat. I refuse to be anti-secular humanism. I refuse to be anti-science. I refuse to be anti-life. In the name of Christ, I quit Christianity and being Christian. Amen.

Infelizmente, não voltou propriamente ao ateísmo — continua a praticar “wishful thinking” (acreditar em algo sem evidências só porque quer que seja verdade e/ou a crença lhe é confortável), a acreditar na parte “sobrenatural” da sua religião (nascimento a partir de uma virgem, milagres, ressurreição, etc.), a auto-declarar-se “seguidora de Jesus”, e essas coisas todas. Mas ao rejeitar o Cristianismo propriamente dito devido a todos os seus males (ela lista um bom número deles), ao deixar de se auto-descrever como “cristã”, e ao dizer ao mundo — e aos seus milhões de fãs — exactamente porque é que o faz, talvez “leve” outros com ela. Sem dúvida que o mundo estaria bem melhor se uma boa percentagem de cristãos se convertesse a uma versão mais “soft”, menos conservadora e anti-progresso, mais “vive e deixa viver” da sua religião.

E rejeitar a sua religião (mesmo continuando a “acreditar”) é muitas vezes um óptimo primeiro passo para uma vida racional e livre de “wishful thinking”. Talvez um dia ela e outros atinjam um nível suficiente de honestidade para admitir que estão a fazer isto, e que não é intelectualmente honesto fazê-lo.

Como não traumatizar crianças

18 de Julho, 2010

My young son asked me what happens after we die. I told him we get buried under a bunch of dirt and worms eat our bodies. I guess I should have told him the truth -that most of us go to Hell and burn eternally – but I didn’t want to upset him.

(fonte)

Vaticano: “mulheres padres são um crime tão grande como a violação de crianças”

16 de Julho, 2010

Sim, foi exactamente isso que eles acabaram de dizer. As duas coisas estão, para eles, ao mesmo nível.

É preciso dizer mais?

(via Pharyngula)

Realismo como alternativa ao “pensamento positivo”

16 de Julho, 2010
YouTube Preview Image

Vale a pena ver. Depois de o fazerem, considerem o seguinte:

Relativamente à questão do “pensamento positivo”, imagino que há quem pense algo tipo “mas estás-me a dizer que pensar positivamente, ser optimista, etc. não são boas ideias? Que devemos andar pessimistas e deprimidos?” É claro que não é essa a ideia (e o vídeo menciona-o, de passagem). A questão aqui, a meu ver, é que há duas interpretações bem distintas do significado de “pensamento positivo”, e os “new agers” em geral fazem tudo para misturar as duas, tratando-as como inseparáveis.

“Pensamento positivo”, isto é, viver a vida de uma forma optimista e sem medos paralisantes, tentando ver sempre que possível o lado bom das coisas e evitando ao máximo que os problemas / stresses do dia-a-dia nos deitem abaixo, é uma boa ideia, e faz diferença na nossa vida, em termos do nosso bem-estar psicológico, da nossa atitude perante problemas e perante outras pessoas, e afins. Torna-nos pessoas menos stressadas e mais agradáveis — e, por conseguinte, mais “populares”, o que não só tende a aumentar ainda mais o nosso bem-estar, como ajuda relativamente ao sucesso na vida — ou seja, acaba por ser, de certa forma, um círculo virtuoso: optimismo provoca sucesso que provoca mais optimismo que provoca mais sucesso que provoca…

Mas não é isso que os “new agers” promovem (se bem que, desonestamente, recuam para esse significado mais básico quando os criticamos). O que eles promovem, em livros como o estupidamente best-seller “O Segredo”, mencionado no vídeo, é a ideia de que os nossos pensamentos e as nossas emoções afectam directamente o universo, incluindo de forma física e à distância; que a realidade é fluida e subjectiva, construída por cada um de nós nas nossas cabeças (e que uma árvore a cair numa floresta sem ninguém ao pé pode não fazer som, precisamente porque a realidade é subjectiva); que para ter sucesso e sorte basta “acreditar” nesse sucesso e sorte e dessa forma atraí-los. Que para conseguir algo basta “querer muito”.

E, portanto, que quem fracassa, quem sofre alguma catástrofe (mesmo uma catástrofe natural), é porque não queria suficientemente o sucesso, e, dessa forma, atraiu as desgraças. Ou seja, a culpa é sempre da vítima. Mais obsceno do que o “cada um tem o que merece”, aqui a ideia é “cada um tem o que quer“. Os pobres são pobres porque querem (ou porque não querem suficientemente a riqueza), os doentes são doentes porque “não acreditam” na sua saúde, e as vítimas de um terramoto ou vulcão têm a culpa disso porque os seus “pensamentos negativos” atraíram a catástrofe.

Isto, senhoras e senhores, é do mais doentio que pode haver.

Cectic: webcomic de cepticismo

8 de Julho, 2010

Cectic é um webcomic que já acabou há uns anos (se bem que o autor fez 2 novos comics mais recentemente) cujo tema é, como o nome sugere, o cepticismo. Tudo com algum humor, é claro.

Alguns dos meus preferidos:

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Prayer Failure – algo que gostava que médicos e familiares fizessem a doentes destes, para abrirem um pouco os olhos.

 

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The Tides of Crime – Um exemplo perfeito da falácia habitualmente descrita como “counting the hits and ignoring the misses”. Obviamente a lua cheia não faz qualquer diferença, mas isso não impede o polícia em questão de acreditar que faz… porque inconscientemente ignora todas as vezes em que a sua teoria é contrariada.

 

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The day Mom found religion – É muito mais fácil (e cobarde) inventar “bichos papões” do que realmente ensinar moralidade e ética aos filhos. Quando ficam maduros demais para o Pai Natal, é altura de lhes introduzir uma versão um pouco menos infantil… e muito mais nefasta.

 

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Aspirin Versus Prayer – Quando se interpreta todos os resultados segundo uma visão distorcida da realidade, todos esses resultados parecem confirmar essa visão. Em último caso, há sempre o “Deus tem um plano”.

 

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Conclusive Proof – Já ouviram falar em “double standards”? Eis um exemplo dos mesmos. Para quem é tão irracional e intelectualmente desonesto que as suas crenças existem de acordo com os seus desejos e não com a sua observação, não custa nada ser-se incrivelmente “céptico” relativamente a algo em que não se quer acreditar, e em simultâneo ser-se o maior dos crédulos em relação a algo em que se quer.

 

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An Atheist’s Endearment – Ocasionalmente, este comic consegue ser “tocante”; este é um exemplo. A ideia de que a nossa vida, as nossas relações e os nossos sentimentos são insignificantes só por a nossa vida ser finita é absolutamente repugnante, e insulta tudo o que já sentimos, fizemos e somos.

 

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Vocations – E ocasionalmente ele é “poético”. O universo em que vivemos é maravilhoso — mas reduzir tudo a “foideus” ou “diznabíblia” é do mais limitado — e estúpido, e desperdício de oxigénio — que se pode imaginar.

 

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Sense of Mystery – uma boa resposta para quem é tão cego e ignorante que julga que é preciso existir o “paranormal” para o universo ser fascinante. Só pensa tal barbaridade quem não sabe nada de nada. Bónus por incluir uma cena do último episódio do Star Trek: The Next Generation (“All Good Things…”). 🙂


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