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Entradas com Etiqueta ‘FAQ de Ateísmo’

FAQ: “O ateísmo / materialismo não explicam o amor / a amizade / o bem e o mal / a poesia / a beleza / os números irracionais na matemática / <outro exemplo de conceito humano abstracto>, logo estão errados / Deus existe!”

Quarta-feira, 10 de Março, 2010

Esta pergunta é, infelizmente, muito comum; tal como no caso da aposta de Pascal, a maior parte dos crentes põem esta questão com uma atitude de desafio (“responde lá a isto! aposto que não consegues!”), estando visivelmente na ilusão de que a pergunta é original, que o ateu nunca pensou nela, e que vai ser incapaz de lhe responder.

Surpresa: qualquer ateu que se interesse por discutir este tipo de temas pensou nessa questão, e detectou imediatamente vários problemas na mesma.

O primeiro problema é este: trata-se de um argumento da ignorância, já mencionado aqui e aqui. Esse argumento, neste contexto, resume-se a isto: “não sei / não entendo / não estou a ver como, logo foi Deus“. Já se trata de um péssimo argumento quando usado em relação a algo que ainda não é entendido ou explicado pela ciência (ex. a origem do universo), uma vez que não faz sentido que uma explicação sobrenatural ganhe simplesmente “por default”, mas demonstra ainda mais “tolice” quando usado relativamente a algo que já foi explicado e é entendido por muita gente, mas o crente em questão não conhece ou não entende — nem procurou conhecer ou entender — essas explicações. É como alguém nos dias de hoje pensar (como acontecia na pré-história) que uma trovoada é uma discussão entre “os deuses”.

Por outras palavras, é de uma tremenda ignorância — e preguiça intelectual — atribuir emoções ou a capacidade de alguém para o bem (ou o mal) a “Deus” quando podem ser explicadas pela evolução, psicologia, neurologia e filosofia. Mas aprender sobre tudo isso dá muito trabalho, não é?

Um segundo problema é a mentalidade dualista e anti-humana, que diz — e é assim culpada por tanto sofrimento ao longo da história — que tudo o que é profundo, marcante, importante ou “bom” tem de ter uma origem sobrenatural, exterior a nós, de um plano não alcançável pela inteligência e ciência humanas. Tal como a acusação de Keats a Newton por este ter “desvendado o arco-íris” e assim destruído a beleza e poesia do mesmo (como se só houvesse beleza e poesia na total ignorância…), essa é uma mentalidade anti-humana e anti-vida, que nos tira o melhor de nós próprios e diz que este só pode vir de um plano sobrenatural e incompreensível (seja “Deus”, seja qualquer coisa “new age” indefinida), porque se fosse compreendido e explicado em termos puramente humanos perderia assim todo o seu valor.

Isto, desculpem dizer, é absurdo. O amor de uma pessoa por outra não precisa de uma origem ou justificação externa ou sobrenatural para ter valor, para ter poesia e pureza. Pelo contrário, ao afirmarem que essas origens são necessárias, é que lhe estão a tirar valor. Aquilo que eu sinta por alguém — uma namorada, um familiar, um amigo — não precisa de justificação externa, não precisa de vir de um “plano espiritual”, não perde valor por vir “só” de mim — muito pelo contrário, perderia todo e qualquer valor se não viesse de mim, se não fosse meu.

Na verdade, o atribuir de tudo o que há de bom no ser humano a algo “extra-humano” só demonstra uma coisa: um total ódio à humanidade e a si mesmo. Algo bastante comum nas várias religiões populares, “coincidentalmente”.

(Nota: por favor, restringe quaisquer comentário que faças à pergunta e resposta anteriores, e não a outros assuntos, como a existência ou não-existência de Deus. Obrigado.)

FAQ: “Não percebes nada disto!”

Terça-feira, 23 de Fevereiro, 2010

Nota: estive algum tempo a hesitar entre incluir ou não esta entrada no FAQ; a ideia do mesmo é responder às mais frequentes perguntas ou afirmações razoáveis, e esta afasta-se perigosamente dessa condição. Acredito que tem de haver limites; por exemplo, nenhum FAQ vai incluir respostas a insultos, “bocas” parvas, e coisas do género. Mas onde estabelecer o limite do que é razoável e não é? Bem, ei-lo: é esta entrada. Está no limite — desculpem dizer — da estupidez: algo mais estúpido do que isto será inevitavelmente um insulto que não merece resposta. Para este caso, ainda posso dar o benefício da dúvida.

Outra razão para a incluir é a sua “popularidade” aparente: pelo que tenho visto, tanto aqui como noutros sítios, este é o argumento mais popular e mais comum da parte de quem se opõe ao ateísmo. Como infelizmente não espero que tal deixe de acontecer, sempre passo a ter uma entrada no FAQ que posso “linkar” como resposta.

A minha reacção a essa acusação só pode ser uma: “porquê?”. É que acabaste de dizer exactamente nada.

Dizer a uma pessoa que ela está errada sem justificar essa afirmação é algo que não tem qualquer valor. Não te faz ficar “bem visto”, nem faz o oponente ficar “mal visto”; ninguém com dois dedos de testa vai pensar aquilo que provavelmente querias transmitir, que é que o que a outra pessoa disse é tão absurdo, tão infantil, tão obviamente errado, que nem merece resposta.

Muito pelo contrário, a única ideia que transmite é que discordas mas não sabes lá muito bem porquê. E que lá no fundo tens consciência de que não tens “pedalada” para argumentar com a outra pessoa usando factos e lógica. Isso é bastante cobarde, sabias?

Pior ainda, pode até dar a ideia de que desconfias — ou até sabes — que não tens razão. Mas que não o és capaz de admitir. O que faz de ti uma pessoa desonesta.

Tens, ou achas que tens, argumentos a teu favor? Usa-os. Adoro quando alguém demonstra que estou errado em algum aspecto, em algum ponto. Mas se discordas e não usas argumentos, isso não vale nada.

P.S. – se respondi a um comentário teu com um link para esta entrada no FAQ, bem-vindo a um mundo onde o “porque sim” não funciona. Espero que na próxima vez — assumindo que há uma — digas como e porquê é que estou errado. Tenta. Não será assim tão difícil. 🙂

(Nota: por favor, restringe quaisquer comentário que faças à pergunta e resposta anteriores, e não a outros assuntos, como a existência ou não-existência de Deus. Obrigado.)

FAQ: “Estás errado, porque <repetição da crença ou afirmação>.”

Terça-feira, 23 de Fevereiro, 2010

Uma coisa que sempre achei frustrante relativamente à maioria dos crentes que comentam a discordar (aqui ainda houve poucos, mas já passei por muito noutros blogs) é que eles não justificam as suas afirmações, posições ou opiniões. Ou seja, muitas vezes resumem-se a dizer “estás errado” ou “não percebes nada disto” (algo que vou abordar na próxima entrada do FAQ, que deve ser a última por agora), sem especificarem porquê, sem dizerem onde é que supostamente cometi um erro factual ou lógico no que escrevi. E isto é comum noutros blogs de ateísmo; não é só comigo, obviamente.

Uma variante curiosa dessa falta de justificação é quando os crentes em questão se “justificam”… simplesmente repetindo a sua afirmação / posição / opinião inicial (caso tenham sido desafiados a justificar algo que disseram), ou citando algo em que acreditam, sem justificarem isso também. Dizem isso como se fosse um argumento válido e óbvio, como se estivessem a explicar alguma coisa dessa forma. E, obviamente, não estão.

Exemplos desses “argumentos”:

  • “Estás errado, porque Deus existe.” (este é o mais frequente)
  • “Estás errado, porque Deus ama-te.”
  • “Estás errado, porque Cristo é o caminho.”
  • “Estás errado, porque os crentes serão salvos.”
  • “Estás errado, porque eu acredito.”
  • “Estás errado, porque aceitei Jesus Cristo no meu coração.”
  • “Estás errado, porque Deus criou o universo.”
  • “Estás errado, porque Deus criou o Homem.”
  • “Estás errado, porque Deus disse que…”
  • “Estás errado, porque Deus é amor.”
  • “Estás errado, porque Deus é bom.”
  • “Estás errado, porque sou Cristão.”
  • “Estás errado, porque os ateus vão para o Inferno.”
  • “Estás errado, porque o Cristianismo está certo.”
  • “Estás errado, porque Deus prometeu-nos que…”
  • “Estás errado, porque Cristo deu a vida para que sejamos salvos.”
  • “Estás errado, porque <qualquer outra crença da sua religião>.”

Todos estes argumentos podem-se reduzir na sua essência a isto: “estás errado porque estás errado”. O incrível é que continuam a usá-los, como se eles fossem argumentos válidos e convincentes. Mas não passam de lógica circular, ou, em linguagem corrente, argumentos “porque sim”.

Não percebo, sinceramente, como é que alguém pode usar “argumentos” desse tipo e estar à espera de que eles sejam levados a sério…

Um argumento um pouco diferente, mas que acaba por ir dar ao mesmo, é este: “Estás errado, porque na Bíblia diz que…” Não é um argumento directamente circular, já que não diz “isto é assim porque isto é assim”, mas tem um problema: porquê acreditar na Bíblia? “Porque é a palavra de Deus”. Como é que sabes? “Diz na Bíblia”. Pois…

(Nota: por favor, restringe quaisquer comentário que faças à pergunta e resposta anteriores, e não a outros assuntos, como a existência ou não-existência de Deus. Obrigado.)

FAQ: “E se estiveres errado, e Deus existir? Isso não te preocupa?”

Terça-feira, 23 de Fevereiro, 2010

(Nota: isto não é o mesmo que a pergunta já existente no FAQ, “Não é melhor acreditar, por via das dúvidas? Afinal, se eu estiver errado não perco grande coisa, mas se tu estiveres errado…”. Essa entrada no FAQ é uma rejeição da Aposta de Pascal; esta aqui é uma resposta à possibilidade remota de que Deus, afinal de contas, exista.)

Esta é uma questão muitas vezes posta por crentes (especialmente Cristãos) a ateus. E se estivermos errados, se Deus afinal existir, e se depois de morrer, como se costuma dizer, nos encontrarmos com o nosso criador?

Primeiro, tenho de dizer que essa não é uma possibilidade que efectivamente me preocupe, já que tenho todas as razões para acreditar que não existe nenhum deus ou deuses. O universo aparenta ser 100% natural, e, se por um lado a ciência está longe de saber tudo, por outro lado não existe nada até hoje conhecido que absolutamente exija uma explicação sobrenatural, e que não possa — nunca — ser explicado em termos naturalísticos. Por outras palavras: uma total ausência de evidências “a favor” é, ela própria, uma evidência forte “contra” (e não é que a humanidade não tenha procurado, nos seus milénios de História), e, por isso, todas as evidências sugerem que o número de divindades no universo é zero.

Segundo, se houvesse um deus, seria mesmo assim virtualmente impossível que as religiões humanas estejam certas. Os seus deuses são pequenos, provinciais, territoriais, infantis, inseguros e tribais. E muito, muito humanos. Têm emoções humanas (incluindo uma boa dose de ciúmes, que por alguma razão neles nunca é visto como uma falha de carácter), têm um “povo escolhido”, supostamente criaram um universo que agora sabemos ser incrivelmente vasto e complexo (o que não se sabia quando as religiões apareceram), mas o nosso pequeno e insignificante planeta ainda é a única coisa que importa no universo — e as nossas vidas físicas neste mundo nem são o que realmente importa. (A ideia de um universo antigo (muito, muito mais do que a humanidade, ou mesmo que o nosso planeta), vasto e incrivelmente diverso, simplesmente como “cenário de fundo” de um teste para determinar se somos salvos ou não… é completamente estapafúrdia.) Os deuses antropomórficos das nossas religiões são tão obviamente criados por humanos, que não podem ser verdadeiros. Se houvesse “lá fora” um deus capaz de criar um universo, ele/ela seria provavelmente demasiado complexo/a para repararmos sequer nele/nela… e ele/ela de certeza que não se importaria connosco, a nossa moralidade, as nossas vidas sexuais 🙂 , nem nos julgaria e criaria lugares para irmos depois da morte. Por outras palavras, se houvesse realmente um deus num sentido cósmico, não nos afectaria de forma alguma — e seria infinitamente maior (e menos “igual a nós mas mais poderoso”) do que as divindades inseguras, birrentas e obcecadas por órgãos genitais 🙂 das nossas religiões.

Terceiro, e se, apesar de tudo o que foi dito acima, mesmo assim houvesse um deus, e ele/ela se importasse connosco, e nos julgasse de alguma forma depois das nossas mortes físicas? Bem, depende dos standards de julgamento. Talvez não se importasse com a nossa moralidade, ou com o facto de ser adorado/a ou não, mas sim com alguma coisa completamente diferente. Não temos forma de saber. Talvez, por exemplo, fosse uma divindade para quem a única coisa importante é tratarmos bem os nossos gatos de estimação (que toda a gente sabe que são divinos).

Mas vamos supor que realmente tal ser se importaria com os nossos actos, a nossa moralidade. Nesse caso, a questão final é: Deus é bom, ou mau? Rejeito desde já as corrupções habituais do significado de “bom”, tais como “aquilo que Deus quiser é por definição bom”. Tem de haver algum standard, além dos caprichos de um ser poderoso.

Desta forma:

  1. um deus bom — o que exclui o tirano inseguro e obcecado pela sexualidade no qual os três monoteísmos acreditam — recompensaria quem tivesse vivido uma boa vida, sendo em geral “fixe” para as outras pessoas, e cheio de curiosidade em descobrir e aprender coisas, seguindo as evidências disponíveis até à sua conclusão lógica. As evidências disponíveis não sugerem de forma alguma a existência de um deus, por isso, acreditar num apesar disso não é mais do que “wishful thinking” intelectualmente desonesto, o que não agradaria a tal divindade. Um deus bom recompensaria bons ateus e bons crentes, e puniria maus ateus e maus crentes — mas provavelmente ficaria um bocado decepcionado com a falta de curiosidade e honestidade da parte dos crentes (por outro lado, ele/ela teria também de se explicar — porquê esconder-se e criar o universo de forma que este implique a sua não-existência?). Um deus bom não seria inseguro ou imaturo, e não precisaria de, desejaria ou se importaria com a questão de ser adorado, ou qualquer outro tipo de massagens ao ego. Desta forma, não tenho qualquer medo de um deus bom.
  2. um deus mau — tal como Yahweh ou Alá (e se não concordas comigo, não andas a ler os teus livros sagrados, e estás a inventar “Deus” tu próprio) — seria em grande parte como um ditador brutal num regime totalitário. Ninguém está a salvo desse monstro; não vale a pena esperar justiça ou um tratamento previsível, imparcial e justo. Ele possui-te, és propriedade dele: um escravo, nada mais. “Dar-lhe graxa” pode resultar por algum tempo, mas ele pode sempre torturar-te ou matar-te por um capricho, porque, para ele, não és um ser humano com emoções, és uma ferramenta para usar, um brinquedo para brincar. Mesmo assim, “dar-lhe graxa” — isto é, adorá-lo, viver a vida em função dele, e obedecer-lhe cegamente, não importa o sofrimento causado a outros — será provavelmente a opção mais segura. É claro que tal opção, por outro lado, fará de ti um cobardezinho nojento, sem qualquer integridade moral. Esse deus é o tipo de ser que realmente criaria dois lugares para irmos depois de morrer — um para tormento eterno, o outro para lhe darmos ainda mais “graxa”. A única coisa moral a fazer na presença de tal monstro, ao sermos condenados por termos a moralidade que ele não tem, seria cuspir-lhe na cara, como acto final de desafio.

Felizmente, não acredito na existência de nada do que foi acima descrito. E isso só me faz sentir livre e vivo. 🙂

(Nota: por favor, restringe quaisquer comentário que faças à pergunta e resposta anteriores, e não a outros assuntos, como a existência ou não-existência de Deus. Obrigado.)

FAQ: “Quem desdenha quer comprar; se criticas tanto a religião, provavelmente acreditas ou gostavas de acreditar!”

Terça-feira, 23 de Fevereiro, 2010

Sem dúvida. Quem se opõe a algo é porque secretamente apoia ou cobiça esse algo. Tal como uma pessoa que participe em campanhas contra o analfabetismo no fundo, lá bem no fundo, gostava de não saber ler. Faz todo o sentido!

Next question. 😉

P.S. – não te armes em “psicólogo de bancada”, só te fica mal.

(Nota: por favor, restringe quaisquer comentário que faças à pergunta e resposta anteriores, e não a outros assuntos, como a existência ou não-existência de Deus. Obrigado.)

FAQ: “Vocês ateus são tão fanáticos e dogmáticos como qualquer crente. ‘Acreditam’ no ateísmo, e nada vos faria mudar de ideias.”

Segunda-feira, 22 de Fevereiro, 2010

Tal como em “O ateísmo não passa de mais uma religião!“, a acusação no título desta entrada usa conceitos como “religião”, “fé” ou “crença” como um insulto, o que acaba por ser uma admissão de que o acusador reconhece que a racionalidade está a um nível superior à religião, e tenta reduzir o ateísmo a apenas mais uma destas últimas. Dá que pensar.

Para esta entrada, como não acredito em “reinventar a roda”, vou fazer uso de um artigo de Adam Lee, The Theist’s Guide to Converting Atheists. Parte das ideias que vou usar vêm de lá, parte são minhas.

Primeiro, começo por devolver a pergunta / acusação: o que é que te faria a ti, ou a qualquer crente que conheças, convencer-se de que a sua fé está errada e que Deus não existe? A não ser que sejas um num milhão, aposto que a resposta será algo do género de “nada; eu tenho fé no meu Deus”, ou “nada; eu acredito e pronto”. Isto é ser dogmático; curiosamente este tipo de atitude encontra-se mesmo nos crentes mais liberais, os chamados “não praticantes”; mesmo que a religião não afecte realmente em nada as suas vidas, que nunca ponham um pé numa igreja excepto em baptizados, casamentos e funerais, mesmo assim reponderão à pergunta “o que te convenceria de que estás errado” com um “nada”. Ou seja, ao contrário do que seria de esperar, não é preciso ser fundamentalista para ser dogmático e irracional, para ter crenças “invulneráveis” à realidade (muitas vezes pelo simples facto de serem confortáveis).

E se és dos tais “um num milhão”, e tens efectivamente uma resposta para essa pergunta, o mais provável é que não fiques crente por muito mais tempo (e não, não quero dizer que seja por leres este blog; é, sim, porque depois de se abrir a porta à racionalidade, é muito difícil voltar a fechá-la).

A diferença entre um ateu e um crente típico, aquilo que faz com que não sejamos dogmáticos, que não “acreditemos” simplesmente no ateísmo “e pronto”, é que somos capazes de responder à pergunta. Vou aqui usar uma versão resumida do artigo acima linkado, já que concordo com tudo o que o autor diz ali.

Categoria 1: coisas que me convenceriam de que Deus existe

  • Profecias concretas, correctas, e de origem verificável. Isto exclui:
    • Profecias vagas, abstractas e com inúmeras interpretações possíveis (ex. Nostradamus).
    • Profecias triviais (ex. “no próximo inverno vai estar frio” ou “esta seca eventualmente passará”).
    • Profecias “obrigatórias” (ex: qualquer “profeta” a trabalhar para um rei não vai, de certeza, prever que ele vai ser um cruel tirano, mas vai elogiá-lo — e algum rei no meio de muitos vai realmente ser um bom governante).
    • Profecias “auto-cumpríveis” (isto é, a existência da própria profecia faz com que a tentem concretizar por acharem que é essa a vontade de Deus; ex. a Bíblia dizia que os Judeus voltariam eventualmente a Israel, e eles realmente voltaram… para seguir a Bíblia).
    • Profecias que possam ter sido feitas depois de o evento acontecer (isto é, não seja possível provar que a profecia é anterior ao evento).
    • Profecias cujos eventos não sejam independentemente confirmáveis, e possam ter sido relatados precisamente para condizer com as profecias (ex. os autores dos Evangelhos tinham acesso às profecias do Antigo Testamento sobre o Messias, e podem ter inventado eventos na suposta vida de Jesus para condizer com elas).
    • Profecias que sejam o único sucesso entre mil fracassos; qualquer um pode prever e prever e prever coisas até que uma esteja correcta.
  • Conhecimento científico nos livros sagrados que não estivesse disponível na altura (de forma concreta e clara); coisas que podem ser interpretadas assim de forma muito “rebuscada” não contam.
  • Milagres reais, especialmente se obtidos a partir de oração. Note-se que coincidências não servem de exemplo, a não ser que realmente aconteçam de forma repetida e repetível. Por exemplo, se só ateus fossem atingidos por relâmpagos, ou se crentes se curassem de doenças com muito mais frequência, incluindo doenças incuráveis e membros amputados.
  • Manifestação directa e incontestável do “divino” (coisa que acontecia muito na Bíblia, sobretudo no Antigo Testamento, e a multidões, não apenas a uma pessoa, o que poderia ser explicável em termos psicológicos).
  • Extraterrestres exactamente com a mesma religião.

Categoria 2: coisas que me inclinariam nessa direcção, mas não constituiriam por si só uma prova

  • Um livro sagrado genuinamente perfeito, consistente e sem erros ou contradições.
  • Uma religião sem disputas internas ou múltiplas facções.
  • Uma religião cujos aderentes nunca tenham cometido atrocidades.
  • Uma religião que tenha ganho todas as suas “guerras santas”.

E, finalmente,

Categoria 3: coias que não me convenceriam, de forma alguma

  • Falar em “línguas” ou outros pseudo-milagres, seja por serem explicáveis psicologicamente (ex. estados emocionais extremos), seja pela nossa tendência a ver padrões onde eles não existem (ex. a “cara de Jesus” numa torrada).
  • Histórias pessoais de conversão (incluindo da parte de ex-ateus; toda a gente pode ter um momento de fraqueza em que se deixa levar pelas emoções — sobretudo o medo — e “wishful thinking”).
  • Experiências subjectivas (ex. “sinto Deus no meu coração”).
  • “Códigos da Bíblia” e outras brincadeiras com numerologia.
  • Criacionismo e outras pseudociências.

Mais uma vez, desafio qualquer leitor crente a dizer o que é que te convenceria de que não existe qualquer deus e os ateus estão correctos… se fores capaz.

E se não fores, considerando que os ateus são, diz-me outra vez quem é o “dogmático”. 🙂

(Nota: por favor, restringe quaisquer comentário que faças à pergunta e resposta anteriores, e não a outros assuntos, como a existência ou não-existência de Deus. Obrigado.)

FAQ: “Mas se Deus não existir, e não persistirmos depois da morte, qual é o sentido disto tudo?”

Segunda-feira, 22 de Fevereiro, 2010

Se realmente puseste a questão dessa forma, parabéns — é um enorme progresso em relação ao “wishful thinking” desta pergunta. 🙂 É muito mais racional e adulto dizer “se for assim, como é que fazemos?” do que dizer “não pode ser assim, porque se fosse, seria mau”. A “desejabilidade” de algo não afecta a sua veracidade.

Respondendo à pergunta, então…

Sempre achei estranha a ideia de que uma coisa com fim não tem valor. No resto da vida, em geral não agimos assim; conseguimos apreciar um bom livro ou um bom filme apesar de sabermos que inevitavelmente acabam. Porque é que a vida há de ser diferente, e perder todo o seu valor pelo simples facto de ser finita?

Pode-se, aliás, argumentar que é precisamente o facto de a vida ter um fim que a torna preciosa, única e insubstituível. Por outras palavras, ninguém que considere a vida “uma passagem” ou “um teste” ou “uma de muitas” (no caso de crentes na reincarnação) pode alguma vez dar tanto valor à vida como quem acredite que ela é a única que temos, e terá um fim — um ateu.

A vida pode ser finita, e ser um mero instante de um ponto de vista cósmico, mas não é um instante para nós. Enquanto estamos vivos, temos um mundo inteiro para descobrir, inúmeros factos para aprender, ciências para explorar, arte para saborear ou criar, pessoas para conhecer, relações para viver. Pôr de parte tudo isso simplesmente porque não será para sempre é de uma cobardia extrema, é medo de viver.

Que sentido há para a vida, de um ponto de vista ateu? Viremos a pergunta ao contrário: qual é o “sentido de vida” que um crente pode ter e que está fora do alcance de um ateu? Eu só vejo um: Deus (seja real ou fictício). Servir Deus, adorar Deus. Basicamente, viver em função de outro ser — ou seja, ser um escravo, mesmo que contente com a escravatura. Não, obrigado. Felizmente, muitos crentes — os não fundamentalistas — criam outros sentidos para as suas próprias vidas, em vez de se contentarem em ver-se a eles próprios como ratos num labirinto que não entendem nem podem alguma vez entender, como qualquer fundamentalista faz.

Mas, então, o quê? Bem, não posso dar um sentido à vida de ninguém (e fujam de quem vos disser que vos pode dar um — está a mentir), mas o que posso dizer é isto: nós criamos um sentido para as nossas vidas. Ele não vem de fora — caso viesse, seria um sentido “em segunda mão”, o que não passa de uma fuga cobarde à responsabilidade de ser um ser humano pensante e vivo. Viver é a maior das aventuras, e só o fazemos uma vez… o que é uma sorte na qual não pensamos, em geral. Citando Richard Dawkins1 em Unweaving the Rainbow (tradução minha):

Vamos morrer, e isso faz de nós os sortudos. A maior parte das pessoas nunca vai morrer, porque nunca vai nascer. As pessoas que podiam potencialmente estar aqui no meu lugar mas que na verdade nunca vão ver a luz do dia são mais do que os grãos de areia no Sahara. De certeza que estes fantasmas não nascidos incluem poetas maiores que Keats, cientistas maiores que Newton. Sabemos isto porque o conjunto de pessoas possíveis permitidas pelo nosso DNA ultrapassa em muito o conjunto de pessoas efectivamente nascidas. Na realidade destas assombrosas probabilidades somos tu e eu, na nossa mediania, que aqui estamos.

Esta é a única vida que tens. É finita; lida com isso. E faz dela alguma coisa de jeito.

(Nota: por favor, restringe quaisquer comentário que faças à pergunta e resposta anteriores, e não a outros assuntos, como a existência ou não-existência de Deus. Obrigado.)

  1. com esta, são 2 vezes que o cito neste FAQ… vamos ver quanto tempo demoram a insinuar que o “adoro” como se fosse um deus. 🙂 []

FAQ: “Deus ama-te!”

Segunda-feira, 22 de Fevereiro, 2010

A ideia dessa exclamação é em geral esta: “Deus ama-te, e tu não só o rejeitas, como te recusas sequer a admitir a sua existência!? Que ingratidão! Como é que és capaz?” Chantagem emocional, portanto.

A resposta óbvia é a habitual: “como é que sabes?”. Ou seja, sem evidências, não há razão nenhuma para acreditar naquilo que a outra pessoa me está a dizer, e muito menos para me “sentir culpado” pela minha suposta ingradidão e insensibilidade.

Mas há outra maneira de responder a essa quase-acusação: de certa forma, isso favorece a minha posição.

Se me dissesses “Deus existe, mas está-se nas tintas para ti e para todos nós”, a não-existência dele não seria tão óbvia (se bem que ainda haveria diversos argumentos contra a mesma, começando, mais uma vez, com a pergunta “como é que sabes?”). Mas ao dizeres que ele “me ama”, ou “ama toda a gente”, estás só a demonstrar que não só ele não “me ama”, como quase de certeza não existe… e ainda bem. Ao dares-lhe essa característica, estás a tornar ainda mais improvável a sua existência, a dar-me argumentos contra ela — como se o facto de não haver evidências da mesma não fosse já suficiente.

Por outras palavras, um deus que “me ama” e se esconde é ainda menos provável — e mais difícil de acreditar em — do que um deus para quem eu sou totalmente indiferente (se é que ele sabe que eu existo).

Sabes, é que “amor” não é algo que se sente apenas à distância, sem fazer qualquer tentativa de contacto. Se sinto “amor” por alguém — seja amor romântico, fraternal, de grande amizade, etc. –, quero em geral estar e conviver com esse alguém. Nunca me passaria pela cabeça ser tão doente que, em vez de procurar o contacto, nunca me revelasse, mas enviasse tipos de ar duvidoso a casa da pessoa “amada” para lhe dizerem que existo e a amo, mas que ela nunca me vai poder ver directamente, e usar a crença ou não-crença na minha existência como indicador do seu amor por mim.

“Amor” — mesmo que seja o que se sente por um familiar ou um grande amigo, por alguém com quem nos importamos e a quem desejamos o mellhor possível — não é isso. Pelo contrário, o tipo de “amor” que atribuis ao deus em que acreditas é das coisas mais doentias, mais manipuladoras e mais abusivas que já ouvi.

E não adoraria — nem sequer respeitaria no sentido mais básico da palavra — um sádico doentio desses, mesmo que ele existisse. Felizmente, as razões para acreditar em tal criatura continuam a ser nulas.

(Nota: por favor, restringe quaisquer comentário que faças à pergunta e resposta anteriores, e não a outros assuntos, como a existência ou não-existência de Deus. Obrigado.)

FAQ: “Independentemente de Deus existir ou não, a igreja faz bem ao mundo, certo?”

Segunda-feira, 22 de Fevereiro, 2010

Infelizmente, os factos sugerem o contrário.

Primeiro: relativamente à “igreja”, vou aqui incluir não só a igreja Católica, mas também as igrejas Protestantes em geral (muito influentes nos EUA), e as teocracias Muçulmanas.

Segundo: é importante distinguir os crimes feitos pela religião / igreja, ou por causa delas, ou em nome delas, de crimes feitos simplesmente por religiosos (ou mesmo membros dessas igrejas). Por outras palavras, não culpo o Cristianismo pelo Holocausto apesar de Hitler ter sido Católico, nem culpo a religião ou a própria igreja Católica directamente pela pedofilia dos padres — não há nada nem nos livros sagrados nem nos “estatutos” da igreja que leve a cometer tais crimes. Mas culpo a igreja em questão por dar muito mais importância à sua reputação do que à inocência e à vida de crianças inocentes, protegendo da lei os padres pedófilos e impedindo que estes sejam punidos pelos seus crimes, e movendo-os de paróquia em paróquia quando os seus actos são descobertos localmente. E, sim, culpo a igreja Católica por ter suportado em vários aspectos o regime Nazi.

Terceiro, não vou incluir aqui crimes limitados ao passado, como a Inquisição ou as Cruzadas. Faço notar apenas que a igreja Católica deixou de cometer essas atrocidades apenas quando perdeu o poder absoluto que tinha, e não por ter chegado à conclusão de que aquilo era errado e imoral. Acho que isso diz muito.

Quarto, reconheço que não é tudo mau — as várias igrejas / religiões fizeram e fazem efectivamente actos de caridade, sem dúvida louváveis, tanto em pequena como em grande escala. Qualifico isso, no entanto, com o facto de que muitas vezes trata-se mais de uma forma de espalhar a fé do que de caridade “desinteressada”, e, de qualquer forma, a religião está longe de ser necessária para se cometer actos de bondade humana.

De qualquer forma, acho que o balanço é completamente negativo.

Qual é, em termos humanos, o problema com a religião / igreja hoje em dia? Estes, para começar:

  • sexismo: desde os casos extremos nas teocracias Muçulmanas, em que as mulheres não têm acesso (sob pena de morte) a qualquer educação escolar, são elas próprias condenadas se forem violadas (muitas vezes não acontecendo nada ao violador), são demonizadas como seres “sexuais” que “tentam” os homens (inocentes, coitadinhos) e por isso são submetidas ao horror que é a mutilação genital forçada (a ideia é que, se perderem completamente a capacidade de ter prazer sexual, já não vão “seduzir” os homens…), e, fora do Islão, temos toda uma cultura ocidental conservadora que diz que o papel das mulheres é ter filhos e obedecer aos maridos… exactamente como diz na Bíblia, tanto no Antigo como no Novo Testamento.
  • oposição ao uso de preservativos — incluindo através de mentiras, como “aumentam o risco de Sida” –, provocando o sofrimento e morte de milhões em África, por exemplo, já que em muitas zonas não há nenhuma fonte de informação além dos missionários. Seja por questões religiosas (“Deus odeia contraceptivos e/ou sexo por prazer”), seja por questões mais mundanas (aumentar ao máximo o número de crentes), este acto de quase genocídio é um crime imperdoável.
  • oposição (não se limitando a não o fazer eles próprios, mas tirando sempre que possível direitos aos outros) ao aborto, direitos dos homossexuais (vistos como um “mal moral”) e eutanásia
  • oposição à educação sexual — paradoxalmente, a melhor forma de reduzir o número de gravidezes indesejadas, e, por conseguinte, abortos.
  • visão do sexo (parte perfeitamente natural e saudável do que é ser-se humano) como algo “porco” e “imoral”.
  • oposição — por razões que não passam de superstição — a ramos promissores da medicina, como a investigação em células estaminais, clonagem de órgãos, etc..
  • guerras e ódios de origem religiosa — nem todos no Médio Oriente (ver Irlanda, por exemplo)
  • protecção dos padres pedófilos, que muitas vezes são simplesmente movidos de uma paróquia para outra, quando os seus actos se tornam conhecidos, demonstrando a total ausência de preocupação com as vítimas deles.
  • censura a oposições à religião, mesmo por não-crentes da mesma, devido à ideia de que a religião está acima de qualquer crítica (ex. a condenação pela parte de Cristãos (!) e até ateus (!!) à publicação dos cartoons de Maomé, quando a única condenação devia ter sido aos Muçulmanos que praticaram violência e intimidação).
  • crianças traumatizadas por descrições ultra-detalhadas do inferno.
  • atitude anti-intelectualismo, anti-educação e anti-ciência (por exemplo, a ideia de que se a razão e a fé entram em conflito, se deve preferir a fé, que a razão humana não é de confiança, e assim por diante).
  • anulação da curiosidade humana, por se dizer / achar que se tem todas as respostas (nem que estas sejam simplesmente “foi Deus”).
  • mentalidade de “morte em vida”, que diz que esta vida é só sofrimento e não é “the real thing”, que o nosso tempo neste mundo não passa de um teste para determinar a salvação ou não da nossa “alma”, que a vida a sério começa depois de morrermos, fazendo com que as pessoas aceitem a sua condição e não tentem melhorar o mundo em que vivem.
  • actos de violência e terror – sobretudo nas teocracias Muçulmanas, em que a “blasfémia” (“um crime sem vítima”, como já foi descrita) e a apostasia são punidas com a morte, mas também em países como os EUA, em que terroristas Cristãos explodem clínicas de aborto, assassinam médicos que trabalham nas mesmas, e não só.
  • mutilação do conceito de moralidade para passar a significar simplesmente “obedecer aos caprichos de um ser” — como se esse ser, caso existisse, estivesse acima da moralidade.
  • não-pagamento de impostos, tratando-se de algumas das organizações mais ricas do mundo, e estando a economia mundial como está.

FAQ: “Se não acreditas em Deus, porque é que falas tanto nele?”

Sábado, 20 de Fevereiro, 2010

Para começar, há que distinguir “falar de Deus” e “falar de religião“. Se o significado da pergunta é: porque é que eu me importo com isto, porque é que gasto tempo e esforço a criticar a religião, sugiro a leitura destes dois posts:

O mais provável é que a resposta esteja nos posts acima indicados, e provavelmente podia ficar por aqui. No entanto, se levarmos a pergunta à letra, ela não se refere a importar-me com a religião, mas sim a “falar de Deus”, sendo “Deus” provavelmente a versão mais popular nestas bandas, o deus Judaico-Cristão. A acusação implícita na pergunta é que, se falo tanto nele, se calhar é porque lá no fundo até acredito que ele existe…

Porém, quem leia realmente o que escrevo neste blog, em vez de simplesmente assumir coisas em relação a mim por me auto-declarar ateu (o nome do blog é uma boa pista…), verá que é raro falar propriamente de “Deus”, e que, quando o faço, é óbvio que estou a falar de um ser que considero fictício, tal como posso falar do Homem-Aranha num blog ou fórum sobre comics, sem que venha logo algum parvinho perguntar-me se, aos 35 anos, acredito que o Peter Parker existe…

Ao contrário do Homem-Aranha, no entanto, há realmente muita gente no mundo a acreditar no deus Cristão — cerca de dois mil milhões, ou seja, 1/3 do planeta –, gente essa que o considera real, e que vive em função dos supostos desejos (e muitas vezes caprichos) desse ser. E é a moralidade desse ser — tal como descrita nos livros sagrados, e/ou nas crenças dos crentes, se bem que estas últimas tendem a ser inventadas pelos mesmos para serem um reflexo deles próprios — que eu critico, no sentido de “vocês seguem um ser com estas características; o que é que isso diz sobre vocês? Ou nunca pensaram sequer nisso? Não têm problemas em seguir um ser que ou é 1) ciumento, inseguro, sexista, homofóbico, sádico e birrento, ou é 2) obviamente acabado de inventar por vocês?” Nada disto sugere minimamente que eu “acredite” nele de alguma forma… mas se os crentes acreditam, acho bem que sejam confrontados com a personalidade que eles próprios lhe dão.

(Nota: por favor, restringe quaisquer comentário que faças à pergunta e resposta anteriores, e não a outros assuntos, como a existência ou não-existência de Deus. Obrigado.)


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