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Entradas com Etiqueta ‘Richard Dawkins’

Richard Dawkins, e ateísmo vs. agnosticismo

Quinta-feira, 21 de Abril, 2011

Richard Dawkins na Global Atheist Convention 2010, na Austrália:

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Excelente, recomendo vivamente, etc. etc.. É mais sobre biologia / evolução do que propriamente ateísmo ou religião, mas vale a pena.

Mas este post, além de se dedicar a partilhar o vídeo, foca-se numa pergunta, na secção Q&A no fim do vídeo, e respectiva resposta. A pergunta é:

Auto-descrevo-me como agnóstico, porque, apesar de achar que não existe nenhum deus, não tenho a certeza absoluta; há sempre uma pequena, minúscula hipótese. Ao descreverem-se como ateus, vocês não correm o risco de ser tão dogmáticos como os crentes?

A resposta do Dawkins foi boa: tecnicamente somos todos agnósticos em relação a tudo aquilo em que não acreditamos (ex. fadas, lobisomens), já que não é possível provar-se que algo não existe. Referiu a escala de crença que já tinha usado para explicar esta questão no The God Delusion, em que 1 é “eu sei que existe um deus” e 7 é “eu sei que não existe”, e descreveu-se a ele próprio como um 6.9. Mas acho que ele podia também ter ido por outro lado.

De certa forma, eu compreendo a preocupação do tipo que fez a pergunta. Para quem tenha sofrido consequências do fundamentalismo religioso, estará sempre presente na sua memória como tais crentes estavam completamente certos daquilo em que acreditavam, sem alguma vez questionarem essas crenças. Ao escapar de tal fundamentalismo, é natural que se passe a desconfiar da própria ideia de se ter certezas absolutas e dogmáticas, imunes a qualquer facto ou argumento. E, pensará uma pessoa nesta situação, não será o ateísmo simplesmente a outra face da mesma moeda — a “certeza absoluta e dogmática” de que não existem deuses? Não serão os ateus vítimas (ou culpados) exactamente do mesmo erro? Se não é possível ter-se 100% de certeza, não fará mais sentido uma pessoa descrever-se como agnóstica?

A resposta é “não”, por uma simples razão: há aí um erro de definições. O ateísmo não é a “certeza absoluta e dogmática” de que não existe nenhum deus; é, sim, a ausência de crença em um deus ou deuses. É, como o Dawkins mencionou, tratar “deus” como se trata “fadas” ou “duendes”: uma pessoa não precisa de ter estar “absoluta e dogmaticamente” certa de que essas criaturas não existem, basta não acreditar nelas, não ter nenhuma crença nelas.

Como já argumentei no passado, não é preciso ter-se um conhecimento perfeito do universo (omnisciência), ou “provas” absolutas da não-existência de um deus, para se ser ateu. Basta o seguinte: escalar as crenças segundo as evidências, o que é de qualquer forma a posição racional a ter-se. Note-se que um crente assumidamente não escala as suas crenças de acordo com as evidências; o que ele faz, pelo contrário, é afirmar que crenças sem evidências (isto é, “fé”) são uma virtude. (Curiosamente, o mesmo crente tipicamente não aplicará isso às crenças de outras religiões, que para ele estarão obviamente erradas…)

Mas para quem prefira, racionalmente, que as suas crenças escalem de acordo com as evidências, é fácil chegar-se ao ateísmo; aliás, é a única conclusão lógica. Zero evidências para algo -> zero crença nesse algo, e “zero crença” em um deus ou deuses é a definição de ateísmo. Não é necessária nenhuma fé, nem omnisciência, nem nenhuma certeza “absoluta e dogmática” para chegar a esta posição. Afinal, se um dia *aparecesse* qualquer evidência, eu (como qualquer ateu racional) reconsideraria a minha posição…

“Prender” o Papa?

Terça-feira, 13 de Abril, 2010

Tem corrido por aí a notícia com variantes deste título sensacionalista: “Richard Dawkins: ‘vou prender o Papa“. Naturalmente, Dawkins não disse tal coisa (que dá a ideia de que o biólogo britânico vai estar no aeroporto à espera de Bento XVI com um par de algemas…); o que ele fez, juntamente com Christopher Hitchens, foi apoiar um movimento já existente (que estava a ser ignorado pelos “media”, vergonhosamente, até ser apoiado por duas celebridades) para lançar um processo legal contra o Papa, pelo seu papel já bem documentado no encobrir de casos de violação e tortura de crianças, e protecção dos autores desses casos (já que para ele a única coisa que importa é a reputação da Igreja).

Mesmo que o processo avance (e espero que tal aconteça), há alguma hipótese de o Papa ser preso? Claro que não. Nem acho que haja alguma possibilidade de ele vir a ser julgado, ou até mesmo questionado sobre esta questão por um tribunal laico, mesmo que não esteja ele próprio a ser acusado de alguma coisa.

O melhor que se pode esperar disto — e espero que chegue a tal — é o seguinte: o Papa sai impune, mas tal não acontece por não haver um caso legal contra ele. Acontece, sim, por ele estar efectivamente acima da lei, neste caso da lei britânica. E isto não deverá passar despercebido. O sistema judicial britânico deve ser forçado a admitir publicamente que qualquer outro no lugar do Papa, nestas condições, seria pelo menos julgado, e que o facto de tal não acontecer a Ratzinger não tem qualquer fundamento legal, vai totalmente contra tanto a letra como o espírito da lei e contra toda e qualquer justiça, e deverá ser uma absoluta vergonha para a Lei britânica.

E talvez assim mais alguns olhos se abram.

Convenção Global Ateísta

Terça-feira, 16 de Março, 2010

Via Portal Ateu: aparentemente a Convenção Global Ateísta foi não só um sucesso (esgotou completamente) como um espectáculo. O post acima refere um artigo no The Australian que resume bem a convenção, e, mais importante, não faz juízos de valor, nem insulta os ateus, como certos outros jornais repugnantes fazem.

Algumas citações do artigo do The Australian:

Sobre a convenção:

“But what will you talk about – nothing?” someone had asked David Nicholls, president of the Atheist Foundation of Australia and co-convener of the conference. Far from it: most sessions ended before the audience was ready to let the speaker go.

Sobre o Islão:

The Bangladeshi writer and women’s rights activist, who was exiled from her homeland 14 years ago, then physically attacked in India when she sought refuge in Bengal, placed under house arrest and finally hounded out of there too, still has several fatwas hanging over her and a price on her head. India, the country that likes to think of itself as the largest democracy in the world, she pointed out, placed the religious rights of its Muslim minority above her freedom of expression.

She recalled her doubts about religion as a child, and how she troubled her mother with questions: why do we have to pray in Arabic – if God is omniscient, can’t he understand our prayers in Bengali?

She was six when her mother told her her tongue would fall off if she said anything against God. Already the empirical scientist (she is a doctor), she locked herself in the bathroom, said “God is a son of a bitch”, “God is a pig” and other choice Bengali epithets, and then waited in front of the mirror. After a few minutes, she knew that what her mother said wasn’t true.

She saw through the inconsistencies in the Koran, she said, the first time she read it, in translation in Bengali. “All religion, but particularly Islam, is for the interests and comfort of men,” she said, “Why would women believe in any religion?”

Sobre o absurdo de se achar que a Bíblia Cristã foi inspirada por um ser omnisciente:

Myers took issue with the notion of a good and all-knowing God, suggesting that if “God is so powerful he refuses to be bound by some arbitrary demand like he make a goddamn difference in the world”, couldn’t he have given us some useful suggestions at least? “Like `Wash your hands’? We waited till the 19th century for doctors to learn that. Instead we got in the Bible a detailed order to snip off the ends of our penises.”

Sobre a ideia de que crentes são mais morais, importam-se mais com o próximo, e fazem mais pelos pobres:

As for the more rigorous rules of the New Testament, such as the order that the rich give away their possessions to the poor, there are a lot of very rich Christians around who are clearly giving little thought to the future of their souls, he said. Americans who, according to polling, are far more religious than Europeans, don’t even approach the welfare measures largely secular Scandinavian societies take to protect the vulnerable in their society.

Singer also pointed out that three of the four great philanthropists of the 20th century were professed atheists: Bill Gates, Warren Buffet and Andrew Carnegie. (The exception was Nelson D. Rockefeller, a Protestant.)

E, por último, sobre o financiamento da convenção:

Speaking of money, no tier of government funded the conference: the organisers and speakers worked gratis and depended on the charity of well-wishers for the unavoidable costs. Much was made of this by some speakers: the federal government gave $20 million towards the Catholic World Youth Day last year, and the Victorian government gave $4.5m towards the Parliament of World Religions – but in this supposedly secular society, requests for funding an atheist conference were turned down.

Esta última parte, já agora, é absolutamente revoltante: governos supostamente laicos usam milhões de dólares do dinheiro de contribuintes — independentemente da crença ou não-crença destes — para financiar eventos religiosos, mas não contribuem um cêntimo para um evento pró-racionalismo e pró-realidade. Não quero com isto dizer que o governo tivesse obrigação de financiar seja o que for, mas se o faz a uns, devia fazê-lo a todos…

Para terminar, Richard Dawkins sobre o Islão (para aqueles que dizem que ele só critica o Cristianismo):

As for dialogue with Islamists, he said it was “a remarkably effective tactic to say `If you try to argue against me, I’ll cut your head off’ “, but that the argument came from a position of intellectual weakness.

“I don’t think we should go out of our way to insult Islam because it doesn’t do any good to get your head cut off,” he continued. “But we should always say that I may refrain from publishing a cartoon of the Prophet Mohammed, but it’s because I fear you. Don’t for one moment think it’s because I respect you.”

Richard Dawkins, estilo South Park

Terça-feira, 2 de Março, 2010

É menos de minuto e meio, por isso vê-se num instante.

E, se quiserem ver a versão original…

e ainda (parte 2 do anterior: perguntas do público e respostas)…

(se estás num agregador e não vês os vídeos, clicka aqui.)

“You’re too stupid for me to argue with you.”

Terça-feira, 30 de Junho, 2009

“If it’s futile, then that’s unfortunate, but I don’t think it’s a reason for not even trying. I think it would be… defeatist and rather cowardly, and rather actually… well, almost condescending, almost contemptuous to say… “you’re too stupid for me to argue with you.” I would never wish to say that.”

— Richard Dawkins


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