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FAQ: “Sem crença numa recompensa ou castigo eternos, como é que é possível ser-se moral?”

De certa forma, eu nem devia responder a essa questão.

A implicação lógica de perguntares isso, de achares que a pergunta faz sentido, é esta: a única razão pela qual tu não roubas, violas ou matas é o medo do Inferno e/ou desejo do Céu. Se visses qualquer outra razão válida para não o fazeres, nunca farias tal pergunta.

E, pior que isso, se alguma vez perderes a crença actual, vais efectivamente roubar, violar e matar, já que é só essa crença que actualmente te prende. A palavra “psicopata” vem-me à cabeça por qualquer razão.

Mas vou ser generoso, e assumir que não és realmente assim, e que simplesmente repetiste algo que te ensinaram, sem pensares nas implicações (o que nunca é boa ideia).

Pensa em duas crianças. Uma delas “porta-se bem” porque foi bem criada e educada, porque se importa em fazer a coisa certa, porque tem princípios morais. A outra “porta-se bem” apenas porque não quer apanhar uma sova. Qual das crianças achas que é a “melhor”? A mais moral?

Ou pensa simplesmente nisto: o que dirias de alguém que só não comete crimes quando a polícia está perto?

Há muitas razões possíveis e válidas para nos importarmos com outras pessoas. Empatia, por exemplo. Cooperação. Comunidade. Acreditarmos nos outros. Amizade. Amor. Respeito. Um sentido de justiça. Querer tornar o mundo melhor. Com tudo isso, é ainda preciso uma ameaça de tortura eterna?

(Nota: por favor, restringe quaisquer comentário que faças à pergunta e resposta anteriores, e não a outros assuntos, como a existência ou não-existência de Deus. Obrigado.)

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2 Comentários a “FAQ: “Sem crença numa recompensa ou castigo eternos, como é que é possível ser-se moral?””

  1. José Pedro diz:

    Aconselho a leitura do livro “Ética Prática”, de Peter Singer. Além de falar de vários aspectos interessantes sobre a ética, este livro inclui um capítulo final sobre a questão “Porque devo agir eticamente?”.

    A sua conclusão é muito interessante, mas prefiro não estragar a história. (além disso, eu provavelmente iria acabar por dizer tudo mal… )

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